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CULTURA

Alunos fazem releituras de obras de artistas paraenses em máscaras de proteção

Além de estimular a criatividade dos universitários, a iniciativa visou dar um toque artístico e leveza ao item essencial

Foto: Reprodução / Fonte: O Liberal

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A arte, em suas diversas maneiras de expressão, tem se mostrado cada vez mais fundamental em meio à pandemia de covid-19. O estresse pode ser combatido com uma música, o tédio, com um filme, e a tristeza e apatia com visitas online a museus ou apresentações de peças teatrais. Para levar um pouco de leveza a um momento dolorido, alunos do curso de Bacharelado em Moda da Universidade da Amazônia (Unama) deram um toque artístico a um item essencial atualmente: as máscaras. Além de estimular a criatividade dos universitários, a iniciativa visou dar uma leveza ao item de proteção.

A ideia surgiu na disciplina Semiótica Aplicada à Moda, ministrada pela professora Lucilinda Teixeira. A docente pediu para que os alunos fizessem uma releitura de trabalhos de diversos artistas paraenses e transferissem para os tecidos da cobertura que protege nariz e boca. O resultado trouxe uma sensibilidade ao item, a partir de inspirações em artistas renomados como Jorge Eiró, Felipe Moia, Nicoly Blue, Luiz Braga, Emanuel Franco, Miguel Chikaoka, Dina Oliveira e Ismael Nery.

“A professora Lucilinda Teixeira fez uma seleção de artistas locais. Então, os alunos fizeram uma análise sobre as obras e os elementos semióticos que estão trabalhando. A partir disso, a professora pediu que eles fizessem obras aplicadas às máscaras nesse momento de terror, pânico, aflição e sofrimento”, explica a coordenadora do curso de moda da Unama, Dula Bento.

“A proposta visou trazer um pouco de arte, de beleza e leveza a esse universo”, declara Dula Bento.

Para Dula Bento, as produções artísticas têm a missão fundamental de promover uma forma de “fuga” em quem a consome. “A arte tem esse papel de tirar a gente desse lugar horrível e transcender um pouco para outra direção. Tudo na vida tem dois lados, mesmo as piores coisas, existe essa dualidade que faz a vida tão instigante. Nesse período, temos visto a humanidade desnudada, de um lado bom e ruim”, explica.

A professora ressalta ainda o papel fundamental do campo da moda, como modo de expressão e reafirmação cultural. “A moda, como um subcampo do design, é expressão do humano. É uma linguagem. A roupa é a segunda pele da gente, mas não só por cobrir, mas porque as pessoas se expressam por meio do que vestem. A moda tem relação com a forma da pessoa se posicionar. O corpo é uma tela”.

“Tudo são escolhas e tudo tem significado, por mais que inconscientes”, enfatiza a coordenadora.

Uma das estudantes da disciplina, Alice Monteiro inspirou-se na obra “Andiroba”, de 1988, trabalho da pintora e desenhista Dina Oliveira. “Fiquei encantada com as cores e a sensibilidade nas quais ela retrata os cenários amazônico-nordestinos. Essa obra em especial foi a que mais tocou pela sensação de energia, força e ancestralidade que ela passa”, descreveu a universitária no projeto.

Por Ana Carolina Matos

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