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Governo dos EUA compra toda a produção mundial de remdesivir

Fonte/Foto: Manjurul/Getty Images

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Durante os próximos três meses, pelo menos, país terá monopólio global sobre esse medicamento – o primeiro e único a ser aprovado, até hoje, para tratar casos graves de Covid-19 

O antiviral remdesivir chamou a atenção da comunidade científica em maio, quando um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos EUA com 1.059 pacientes mostrou que a droga reduzia em 26% o tempo médio de internação em casos graves de Covid-19 (de 15 para 11 dias). Nesse mesmo estudo, o medicamento também provocou redução na taxa de mortalidade dos pacientes, que caiu de 11,9% para 7,1%. 

Não são resultados milagrosos, mas são sólidos – e levaram o médico americano Anthony Fauci, diretor do instituto, a comparar o estudo ao primeiro teste que demonstrou eficácia do antiviral AZT, em 1986, contra o vírus da aids. O AZT obteve resultados modestos, mas foi um ponto de partida para os coqueteis de antivirais que acabaram conseguindo controlar o HIV. Com o remdesivir, pode acontecer a mesma coisa: já estão em andamento estudos que avaliam a combinação desse medicamento com outras drogas. 

Mas o acesso de cientistas e pacientes à droga, que foi desenvolvida pela empresa americana Gilead Sciences (inventora do antiviral Tamiflu, que depois foi licenciado para a multinacional Roche), poderá ser drasticamente reduzido. Isso porque o governo dos EUA adquiriu 500 mil doses do remédio, o que corresponde a 100% da produção de julho e mais de 90% da esperada para agosto e setembro. Durante os próximos três meses, médicos e pesquisadores de outros países não terão como comprar remdesivir, cuja produção é lenta e complexa.

O processo inclui 70 ingredientes, que são combinados em 25 etapas delicadas (um dos reagentes utilizados explode se entrar em contato com o ar) e demoradas: a produção de cada lote da droga leva em média seis meses. A Gilead foi capaz de fornecer o remdesivir para vários países, durante o primeiro semestre de 2020, porque tinha estoques do medicamento e também começou a produzir mais, de maneira emergencial, já no começo de janeiro. 

O remdesivir foi criado em 2009, para tratar a hepatite C, e chegou a ser testado contra o ebola, em 2018, mas não demonstrou eficácia contra essas doenças. O sucesso contra o Sars-CoV-2 reacendeu o interesse sobre a droga – que, até o momento, é a única aprovada pelas autoridades regulatórias dos EUA, do Japão e da Inglaterra para tratar a Covid-19 (e também tem sido usada, de forma experimental, em diversos outros países).

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