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PARÁ

Museu Goeldi apoia ações de combate à Covid-19 em quilombos de Gurupá

O novo coronavírus se alastra nas comunidades e redes solidárias surgem para apoiar pessoas que sustentam as tradições amazônicas. Doações podem ser feitas para o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gurupá e ajudarão no envio de alimentos e equipamentos de proteção às comunidades quilombolas do município marajoara.

Foto: Reprodução / Fonte: Agência Museu Goeldi

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Segundo o Observatório da Covid-19 nos Quilombos, até o dia 19 de agosto o Brasil já possuía 4.276 casos de Covid-19 e 153 óbitos entre os moradores de territórios, comunidades e localidades quilombolas oficialmente reconhecidos. Diante da proliferação do novo coronavírus nos territórios quilombolas, a Região Norte tem sido a mais letal, com mais de 50% dos casos mapeados em todo o país.

Liderada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a iniciativa também aponta o Pará como o estado com maior número de óbitos, de quilombolas contaminados e com suspeita de Covid-19.

As comunidades quilombolas do município de Gurupá, no arquipélago do Marajó, têm sido importantes parceiros do projeto Origens, Cultura e Ambiente (OCA), coordenado pela arqueóloga Helena Lima, pesquisadora e curadora do Museu Goeldi, e que tem trazido evidências materiais sobre a riqueza cultural do município em diferentes momentos desde a pré-história. Para combater a rápida proliferação da doença entre os territórios quilombolas de Gurupá, uma rede de organizações nacionais e internacionais vem levantando, desde julho, fundos de apoio para adquirir cestas de alimentos, álcool em gel e equipamentos de proteção individual.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), o município registrou, até o dia 20 de agosto, 1.267 casos e 10 óbitos decorrentes da Covid-19. Desses, foram confirmados 307 casos da doença nas 11 comunidades quilombolas até o começo de julho, quando a prefeitura realizou testes nessas áreas, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gurupá. Depois disso, os casos de adoecimento continuaram a acontecer, mas sem a testagem e a confirmação oficial.

“A ideia da Campanha surgiu a partir da pandemia e da preocupação com as comunidades quilombolas mais isoladas. Há comunidade em que a viagem de barco dura em torno de seis a sete horas para chegar até a sede do município”, explica Jefisson da Silva Moreira, presidente do Sindicato, que também vive em território quilombola.

  Em parceria com o coletivo “Nós, os Guardiões”, o Sindicato é a principal entidade a arrecadar fundos para apoiar essas comunidades. A iniciativa tem o apoio do projeto OCA (Museu Goeldi), assim como da Fundação Minga e de pesquisadores de diversas universidades. As primeiras doações, obtidas com a primeira parte dos recursos arrecadados, serão feitas já a partir da última semana de agosto.

Arinhoa, Gurupá-miri, Maria Ribeira, Jocojó, Flexinha, Carrazedo, Camutá do Ipixuna, Alto Ipixuna, Bacá do Ipixuna, Quadrangular do Ipixuna e Alto Pucuruí são as comunidades que a Campanha pretende contemplar. Nelas vivem um total de 711 famílias e 2.200 pessoas.

Como Carrazedo, que é a maior comunidade quilombola da região, foi a primeira a ser apoiada por outra campanha realizada pela Fundação Minga, as demais serão priorizadas neste momento.

Campanha – A arqueóloga Helena Pinto Lima, coordenadora do OCA, projeto iniciado em Gurupá no ano de 2014, explica que, com as doações de alimentos e equipamentos de proteção, a ideia é oferecer um apoio às comunidades, reduzir a necessidade de viagens à sede municipal para a aquisição de mantimentos e assegurar a proteção dos moradores nos contatos interpessoais, diminuindo os riscos de contágio.

“Reforço que o nosso compromisso com as pessoas (parceiros, interlocutores de pesquisa e amigos) vai muito além da esfera acadêmica e passa por relações de afeto. Por isso vemos que o momento é para a mobilização e apoio”, comenta.

Preocupação – “O avanço do vírus nessas comunidades remanescentes de quilombo é preocupante, dada a sua agressividade e as possíveis perdas de nossos anciões quilombolas. É um pouco da nossa história que se vai. Para além da conservação da saúde dos moradores dessas comunidades, é nosso dever como guardiões sensibilizar a todos pela guarda dessa patrimônio”, defende Cássia Benathar, que é uma das idealizadoras e coordenadoras do coletivo “Nós, os guardiões”. Ela também cursa o mestrado no Programa de Pós-graduação em Diversidade Sociocultural (PPGDS), do Museu Goeldi.

Os “Guardiões”, segundo explica, desenvolvem ações de caráter didático na perspectiva da educação patrimonial e têm a missão de levar à comunidade gurupaense o conhecimento produzido pelo projeto OCA.

“Realizamos encontros com jovens e idosos, além de auxiliar os professores nos debates sobre as temáticas interdisciplinares que envolvem o projeto e preconizam o saber, e ainda atuamos em atividades que fomentam a preservação e conservação dos patrimônios histórico e cultural do município. Como protetores da cultura, zelamos pelo nosso bem comum”, aponta.

Sobre o OCA – O modo de vida dos moradores de Gurupá serviu de base para importantes trabalhos no campo da antropologia desde meados do século XX. Entre essas obras se destacam “Itá, uma comunidade amazônica”, de Charles Wagley (1957), e “Santos e Visagens”, de Eduardo Galvão (1955).

Em 2014, o Museu Goeldi, em parceria com uma rede de colaboradores, nacionais e internacionais, com grande destaque para os próprios gurupaenses, iniciou no município o projeto OCA. Entre outros objetivos, esse projeto busca tratar a história de longa duração de Gurupá pelas lentes da arqueologia e do patrimônio material, produzindo conhecimento de forma colaborativa com os habitantes do lugar.

Entre outras ações, a equipe do OCA desenvolveu, além das pesquisas arqueológicas sob a forma de sítios-escola, oficinas variadas com os professores locais, a produção de materiais didáticos diferenciados, como um jogo de tabuleiro, a curadoria e montagem de uma exposição, além de materiais de divulgação diversos sobre as informações e conhecimento gerados.

No ano de 2018, o projeto foi reconhecido pela 31ª Edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na categoria de “ações de excelência na preservação do patrimônio cultural material”.

Doações – A Campanha de Apoio aos Quilombolas de Gurupá continua nas próximas semanas. Doações podem ser feitas por meio da conta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gurupá.

Banco:  Banco do Brasil

Agência: 7125-0

Conta Corrente: 741625-3

CNPJ: 05.849.898/0001-90

Por Brenda Taketa

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