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Países da África correm contra o tempo para conter Coronavirus após alcaçar 1.200 casos

Fonte/Foto: O Globo

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42 países já registram casos confirmados, em continente com fraca rede de proteção social; grande parte dos casos ainda é de pessoas que vieram do exterior

Para conter o rápido alastramento do coronavírus pela África, países do continente tomam medidas de distanciamento social e se preparam para um fechamento amplo de suas fronteiras. Há grandes temores sobre qual será a destruição que a Covid-19 provocará em uma das regiões menos preparadas do mundo para enfrentá-lo, onde faltam equipamentos técnicos, médicos e a rede de proteção social é mais fraca. 

De 54 países, 42 deles já registram casos confirmados, em um total de mais de 1.200. Marrocos, Tunísia e Ruanda são até agora os únicos países a adotar o confinamento da população em casa, enquanto quase todos os outros países fecharam escolas, igrejas, mesquitas e bares.

Grande parte dos doentes já detectados na África ainda é composta por estrangeiros ou pessoas que retornaram do exterior. Os dois primeiros casos em Burkina Faso foram de uma equipe de pastores de megaigrejas evangélicas, que contraíram o vírus depois de participar de uma celebração da quaresma na França. Em Angola, os dois primeiros casos positivos foram cidadãos angolanos que voltaram de Portugal em 17 e 19 de março, segundo o Ministério da Saúde.

Várias nações africanas, incluindo Uganda, Gana, Quênia, Sudão do Sul e África do Sul — o país subsaariano com mais casos, enquanto o Egito lidera ao norte —  recentemente impuseram proibições de viagem da Europa e dos Estados Unidos, países que há anos estabelecem limites estritos para africanos entrando em suas fronteiras. Outros países africanos, como Madagascar e Senegal, fecharam suas fronteiras aéreas, escolas e universidades e proibiram grandes aglomerações de público para limitar a disseminação do vírus.

Há também medidas relacionadas às igrejas e mesquitas. Em vários países, autoridades pediram aos sacerdotes que limitassem as multidões o máximo possível e incentivaram as pessoas a orar em casa. Neste domingo, enquanto os fiéis chegavam aos cultos pela manhã, em muitas igrejas as temperaturas foram medidas e as mãos foram higienizadas.

Em alguns lugares, as medidas foram mais extremas. Em Serra Leoa, que incluiu serviços religiosos em uma lista de reuniões proibidas, as igrejas na capital Freetown ficaram vazias. Algumas paróquias transmitiram seus serviços pela internet ou pelo rádio, para que as pessoas pudessem adorar em casa. Cenas semelhantes aconteceram em várias partes do continente, como Gana, África do Sul e Libéria.

As medidas, contudo, são recentes, e ainda consideradas insuficientes para muitos especialistas. No Senegal, onde foram registrados 56 casos, uma grande oração coletiva foi realizada na sexta-feira em Touba, a capital religiosa e a segunda cidade do país, presidida pelo califa geral da irmandade Mouride, Serigne Mountakha Mbacké. Outro líder religioso que se opôs ao fechamento de sua mesquita foi detido por várias horas pela polícia.

Na Nigéria, que tem 25 infecções, a vibrante cidade de Lagos cancelou a atividade de bares e restaurantes, uma medida que seus habitantes receberam com estupor e alguma resistência. A mesma recomendação feita em Burkina Faso, um dos países onde o vírus se espalha mais rapidamente (75 casos e quatro mortes), mas teve tão pouco sucesso que o governo adotou um toque de recolher noturno, assim como na Mauritânia, onde há a confirmação de duas pessoas doentes.

O secretário-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou os governos africanos da importância de reagir rapidamente.

— A África deve se preparar para o pior —  disse ele. — Meu continente deve acordar.

A principal preocupação é a suspeita de que haja transmissões não detectadas, devido a sistemas de vigilância em saúde débeis. Tão logo o surto se dissemine, receiam, os sistemas públicos de saúde nas regiões mais pobres, já pouco estruturados, irão rapidamente implodir. Há também grande receio sobre como Estados pobres e incapazes de oferecer serviços básicos para a maioria de suas populações, com muitas economias frágeis, conseguirão apoiar seus cidadãos.

—  Não podemos esperar pela repetição do que aconteceu na China — disse ao New York Times Oyewale Tomori, professor de virologia e ex-presidente da Academia Nigeriana de Ciências. — Não acredito que, se tivermos um grande fluxo de pessoas com o vírus, poderemos lidar com isso.

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