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PARÁ

Professora doa alimentos e leva informações sobre pandemia para catadores

Além de cestas básicas, pesquisadora grava vídeos e áudios, ensinado os trabalhadores a se prevenir da covid-19

Foto: Reprodução / Fonte: O Liberal

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Desde que a pandemia de coronavírus chegou ao Pará, em março, os 46 recicladores de resíduos sólidos da Associação de Recicladores de Águas Lindas (Aral), que atuam em bairros de Belém e Ananindeua, viram sua renda familiar e saúde ficarem comprometidas com a vigência da doença. Foi então que a professora Enize Najjar, do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Pará (Uepa), ao saber que muitos estavam doentes ou impedidos de trabalhar devido ao regime de “lockdown”, decidiu se mobilizar para doar cestas básicas às famílias. Dia 19 deste mês, uma cesta para cada família foi entregue e novo mutirão já está em curso para que a ação se repita em junho.

Enize Najjar conta que conheceu o trabalho da Aral no campus da Uepa do bairro do Marco, onde trabalha. Com o primeiro contato, a professora ficou interessada em trazer as discussões sobre coleta seletiva para o condomínio onde mora. Quando a pesquisadora contraiu covid-19, além de iniciar o tratamento para a recuperação, se lembrou dos recicladores e se preocupou com a situação a que estariam expostos.

“Fiquei preocupada e liguei para a associação. Eles me contaram que muita gente adoeceu e outros tiveram que parar de trabalhar em razão do ‘lockdown’, o que estava fazendo algumas pessoas passarem fome. Decidi conseguir logo as cestas básicas, porque a fome não espera, e depois ir atrás da reposição de parte do dinheiro através de doações. Consegui o valor para esse mês e agora já estou mobilizando as doações para o próximo, com pessoas amigas e conhecidas”, afirma.

Os profissionais que trabalham com resíduos sólidos estão expostos constantemente ao risco de contaminação pelo novo coronavírus, já que os materiais descartados podem estar infectados quando entram em contato com eles. Por isso, além da doação de alimentos, a professora reuniu informações científicas registradas em um trabalho acadêmico e enviou um áudio aos trabalhadores explicando sobre os itens e períodos mais perigosos de contágio e a melhor forma de lidar com os resíduos.

“Como eu estava doente, e ainda estou em recuperação, não poderia mesmo ter contato com ninguém. Então, assim como a mobilização para as doações, que foi toda por telefone, também resolvi gravar um áudio com informações para auxiliá-los. O trabalho dos recicladores é muito importante, não apenas porque é a forma de geração de renda e sobrevivência de muitas famílias, mas também pelo bem que faz ao meio ambiente, à saúde pública. Achei importante enviar orientações”, demarca.

“Fiz uma pesquisa sobre o tempo que o coronavírus permanece nas superfícies inanimadas. Consultei um estudo que foi feito na Alemanha e que se baseou em outros 22 estudos nesta área”, diz a pesquisadora no início da gravação enviada aos trabalhadores. Por cerca de sete minutos, a professora resume em linguagem acessível os resultados das investigações científicas internacionais. Ela informa, por exemplo, que o vírus pode ser inoculado quando tocamos com as mãos infectadas nas mucosas do nariz, dos olhos e da boca.

“Por isso que lavar as mãos com água e sabão com frequência, e deixar o sabão agir por pelo menos 30 segundos para inativar o vírus, é necessário, porque podemos tocar sem querer a nossa boca, os olhos ou coçar o nariz, o que pode nos contaminar imediatamente nesses atos”, ensina.

Quanto ao tempo que o vírus resiste em cada superfície, com destaque para os materiais manipulados pelos coletores e recicladores, a estudiosa assegura que os estudos estabelecem os prazos com segurança. No caso de embalagens e outros objetos de plástico, por exemplo, o microrganismo pode permanecer por até nove dias.

“Ou seja, vocês vão ter que deixar esse lixo em quarentena por dez dias para poder manusear o objeto, porque até nove dias o vírus permanece nesse material. Então, eu sugiro que vocês peguem as sacolas de plástico que vocês coletarem, e todos os outros objetos de plástico, e façam uma etiqueta que informe a data de dez dias após a coleta, para que seja permitida a manipulação. Vamos supor que vocês fizeram a coleta no dia 20 de maio. Só será possível a manipulação no dia 30 do mesmo mês”, orienta.

O novo coronavírus permanece sobre a superfície de materiais de vidro até cinco dias, “então só poderá ser manuseado após seis dias”, reforça a professora. “No papel, o vírus também permanece até cinco dias, logo, só ficando apto também para ser trabalhado a partir do sexto dia de quarentena. Na madeira, fica por até quatro dias; no metal, cinco dias; no alumínio, também cinco dias; no aço, dois dias. Já no PVC, permanece por cinco dias; no teflon, cinco dias; na cerâmica, cinco dias; na borracha de silicone, cinco dias”, detalhe para os trabalhadores da Aral, na mensagem.

Caso os recicladores não optem por fazer uma quarentena diferenciada por produto, em sua rotina de trabalho, Enise Najjar diz que é possível pensar um método diferente.

“Vimos que a maioria dos materiais devem ser manipulados após o sexto dia, com exceção do plástico, que permanece por nove dias. Então, uma alternativa é juntar todos os materiais e colocar dez dias para tudo, assim vocês ficam protegidos, independente do objeto, segundo esse estudo da Alemanha”, conclui no áudio enviado.

Em Belém, para resguardar a segurança dos catadores, a Prefeitura Municipal entregou ainda no mês de março Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) para 11 cooperativas.

Como ajudar

Apesar de a limpeza pública ser considerada um serviço essencial em decretos estadual e federal, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) recomendou a suspensão da coleta seletiva enquanto durar a pandemia. No entanto, muitos seguem trabalhando, por necessidade.

Em âmbito nacional, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a União Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis do Brasil (Unicatadores) e a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat) lançaram uma campanha em abril para beneficiar 5 mil famílias em todo o país.

Para contribuir com a campanha da professora Enise Najjar, basta telefonar para o número (91) 3266-0285. Para fazer doações de materiais recicláveis, o interessado pode ligar para a Associação de Recicladores de Águas Lindas (Aral), no telefone (91) 98084-5193.

Por Abílio Dantas

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