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SAÚDE

“Xiii, não lembro”. É normal esquecer as coisas à medida que envelhecemos?

Fonte/Foto; uol.com.br/vivabem

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Sim, é natural ficar mais esquecido com o tempo. As falhas, ou lapsos, de memória começam por volta dos 30 anos e aumentam gradativamente a cada década. Tem a ver com a morte dos neurônios, principalmente da área pré-frontal do cérebro.

Agora, quando a perda cognitiva ocorre de forma acelerada, é percebida principalmente em idosos e prejudica não apenas memória, como atenção, comportamento, movimento, linguagem e outras funções, é sinal de que há algo errado, sendo necessária a avaliação de um médico para descobrir a causa e tratá-la.

“O problema pode ter a ver com efeito colateral de remédios, deficiência de alguma vitamina, como B12, aumento da pressão intracraniana”, explica Natan Chehter, geriatra da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

“Se não for isso, investigamos a presença de tumores e doenças como Alzheimer, Parkinson, corpos de Lewy (LBD), demência frontotemporal (DFT) e outras, como as vasculares, decorrentes de um AVC grande ou de pequenos infartos na cabeça”, complementa.

Como é o esquecimento benigno?

esquecimento, branco - iStock - iStock
Imagem: iStock

Além de não ser abrupto, o processo de esquecimento normal, relacionado ao envelhecimento natural do cérebro, tem sintomas discretos. Para começar, o grau da perda de memória é sempre leve, passageiro e não representa perigos reais, dificuldades e dependência para desempenhar ações rotineiras (cozinhar, se autolocalizar, dirigir, tomar medicações).

“É muito mais comum a pessoa ficar desatenta, um pouco devagar no raciocínio e sentir certa dificuldade em lembrar palavras, nomes e fatos recentes”, informa Fábio Porto, neurologista do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Também é normal não conseguir dividir o foco entre duas tarefas ao mesmo tempo, como assistir TV e conversar simultaneamente. A pessoa pode se queixar de perda de memória, quando na verdade a questão é déficit de atenção.

Ela não fabricou lembranças porque nem se concentrou. Além disso, as habilidades cognitivas são diferentes de pessoa para pessoa e a velocidade de processamento também e ela pode ficar mais lenta não só devido ao envelhecimento, como pelo excesso de informações, ansiedade, tensão, estresse e grau de complexidade do assunto.

Há muitas formas de ajudar o cérebro

Mulher fazendo palavra-cruzada, exercício para o cérebro - iStock - iStock
Imagem: iStock

Para fortalecer a memória e evitar sua perda é importante praticar atividades físicas, caprichar na interação social, tratar doenças crônicas, dormir bem, manter uma dieta saudável, evitar vício em álcool e cigarro e levar uma vida mais positiva e descontraída. Sim, alegria e animação ajudam a memória, segundo um estudo publicado este ano no periódico Psychological Science.

“Desafiar o cérebro e mantê-lo na ativa também é imprescindível. Na prática, isso significa trabalhar rotinas e aprendizados novos para criar uma reserva cognitiva”, recomenda Yuri Busin, psicólogo, mestre e doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e diretor do CASME (Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio).

Vale aprender novas línguas e músicas; repetir e somar números de placas de carros, telefones, datas de aniversário; anotar em uma agenda as coisas importantes que estudou; buscar passatempos que demandem concentração e criatividade, como palavras cruzadas e desenho; jogar xadrez e baralho; pensar antes de dormir na ordem das tarefas que realizou no dia.

Até andar com o corpo para trás por cerca de dez metros pode contribuir para se ter uma memória melhor, sugere outro estudo, da Universidade de Roehampton, na Inglaterra.

Como lidar com a perda da memória?

Agora, quando é diagnosticada uma doença, principalmente neurodegenerativa como o Alzheimer, prevalente após os 65 anos, e a memória já falha a ponto de a pessoa confundir passado e presente e não se lembrar de lugares e entes próximos, conversas e compromissos importantes, entram em cena os tratamentos.

Porém, vale ressaltar que nem toda perda estabiliza ou melhora e quando se torna irreversível é possível apenas retardar sua progressão.

“Os remédios ajudam no desempenho diário, diminuem os sintomas como agressividade, sonolência, apatia. Mas são ganhos temporários, porque as demências não têm cura e chega uma hora que progridem independente de tratamento”, esclarece o geriatra Natan Chehter.

“Essa é uma situação difícil para todos, pois apesar de a pessoa parecer bem fisicamente, sua mente já não é a mesma. Por isso, é importante logo no início dos sintomas não só procurar ajuda médica, como os familiares se ajudarem, apoiarem sempre o doente e também o acompanharem nos programas e tratamentos para se acostumarem a essa nova realidade”, recomenda o psicólogo Yuri Busin.

Tem mais. Baseado em suas experiências de consultório, o neurologista Fábio Porto alerta para que a família e os cuidadores não forcem o paciente dementado a se lembrar de acontecimentos esquecidos, pois essa pressão não ajuda, pelo contrário, causa frustração, ainda mais se for um idoso com idade avançada.

“É a mesma coisa que pedir para um paraplégico se levantar e andar, não é algo simples. Não tem a ver com falta de vontade ou esforço e não adianta perguntar repetidamente. Para a pessoa é como se fosse a primeira vez. Então, precisamos falar abertamente sobre problemas de memória para educar a sociedade e não tem que ser tabu como era no passado, quando o Alzheimer era tratado como qualquer demência senil a fim de se evitar estigmas”, diz Fábio.

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