sexta-feira, junho 12, 2026
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Verão amazônico mais forte: Interação entre El Niño e ilhas de calor ameaça levar termômetros aos 40°C em Belém

Inmet alerta que calor este ano superará marcas registradas em 2025; previsão indica diminuição drástica das chuvas e pico em setembro.

A combinação entre o asfalto, o concreto, a poluição atmosférica e a falta de áreas verdes adequadas tem cobrado o seu preço nos centros urbanos através das chamadas ilhas de calor. Em Belém, esse fenômeno se soma à chegada do verão amazônico e já altera a rotina da população. De acordo com especialistas, o cenário para este ano é preocupante: a capital paraense enfrentará um período estio mais quente do que o registrado em 2025, com temperaturas médias na casa dos 36°C, podendo atingir picos históricos.

Este aquecimento severo é o resultado direto da interação das características urbanas com o fenômeno climático El Niño, que promete atingir a região com forte intensidade nos próximos meses.

O fator El Niño e o calendário do calor

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), José Raimundo de Sousa, esclarece que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Na Região Norte, esse aquecimento atua diminuindo drasticamente as chuvas e, consequentemente, elevando as temperaturas.

As previsões indicam um comportamento climático bem definido para os próximos meses:

  • Julho: As temperaturas começam a subir de forma mais acentuada;
  • Agosto: Os efeitos do El Niño ganham tração, com redução severa das chuvas;
  • Setembro: Período provável de pico do calor, com termômetros que podem atingir marcas extremas.

“Em Belém, a expectativa é de que essa interação provoque mudanças importantes no comportamento das temperaturas, que podem chegar a 40 graus Celsius.” — Bárbara Paiva, assessora técnica da Semma e doutoranda do NAEA/UFPA.

Crédito: Jader Paes

Impactos desiguais pelo Brasil

Enquanto no Norte o El Niño desenha um cenário de forte estiagem, calor extremo e riscos elevados de incêndios florestais, na região Sul do país o comportamento é exatamente o oposto, provocando um aumento significativo no volume de chuvas, enxurradas e inundações.

O asfalto que não dorme: por que a cidade sufoca?

A dinâmica das ilhas de calor urbanas explica o motivo de as noites em Belém parecerem não refrescar. O excesso de superfícies impermeáveis, como ruas asfaltadas e prédios de concreto, absorve a radiação solar ao longo do dia. Quando a noite chega, esse calor acumulado é liberado de volta para a atmosfera, impedindo o resfriamento natural da cidade.

A principal arma para combater esse ciclo é a cobertura vegetal, pois existe uma correlação direta: quanto mais arborizada é a cidade, menor é o impacto das ilhas de calor.

Estratégias ambientais: como Belém tenta esfriar os termômetros

Para enfrentar a crise climática e aumentar a resiliência do município, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), vem implementando uma série de ações integradas voltadas à mitigação dos impactos:

  • Programa Belém Mais Verde: Uma iniciativa robusta que projeta o plantio de um milhão de árvores até o fim da gestão. Em um salto comparativo, a cidade passou de 10 mil árvores plantadas no ano passado para 17.115 mudas já estabelecidas no decorrer deste ano.
  • Sistemas Agroflorestais (SAFs): Implantação de modelos que combinam o cultivo de árvores e arbustos com agricultura sustentável, simulando a dinâmica de uma floresta natural para recuperar o ecossistema e produzir alimentos.
  • Soluções Baseadas na Natureza: Construção de jardins de chuva e fomento a hortas comunitárias, ferramentas fundamentais para a adaptação climática urbana e a drenagem sustentável da água.

Crédito: Jader Paes

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