quarta-feira, outubro 21, 2026
Desde 1876

Além da consolidação: por que o cuidado com o osso não termina quando a fratura sara

Uma queda da própria altura, um punho quebrado, uma vértebra que perde altura. Não se deve creditar tudo ao azar ou ao envelhecimento: um trauma pequeno que resulta em fratura costuma ser o primeiro sinal de fragilidade e o alerta de que o risco de uma nova lesão aumentou. Como ortopedista, considero incompleto o atendimento que se encerra na consolidação do osso. É preciso ir além e investigar a causa primária da quebra.

No Dia Mundial da Osteoporose, o objetivo central é resguardar a autonomia do paciente. A doença é notoriamente silenciosa até a primeira fratura. E ela envolve mais do que a simples escassez de cálcio: trata-se da perda progressiva de massa e do comprometimento da arquitetura interna do osso lembrando que densidade e resistência não são conceitos idênticos.

O que os exames revelam (e o que não contam)

A queda do estrogênio na menopausa acelera a perda óssea, mas a osteoporose não é um destino inevitável do envelhecimento. Fatores como menopausa precoce, baixo peso, uso prolongado de corticoides, distúrbios hormonais e problemas de absorção intestinal podem antecipar o quadro. Vale ressaltar que os homens também adoecem.

Para mulheres pós-menopausa e homens acima de 50 anos, a densitometria óssea utiliza o T-score: valores iguais ou superiores a -1 são normais; entre -1 e -2,5 indicam osteopenia; e iguais ou inferiores a -2,5 diagnosticam a osteoporose. Contudo, o exame não deve ser lido como uma sentença absoluta. Uma pessoa com osteopenia pode ter risco elevado devido ao histórico de fraturas ou à idade, assim como uma fratura de quadril por fragilidade justifica o tratamento mesmo se o T-score não atingir a faixa de osteoporose.

Na hora de acompanhar a evolução, a precisão é fundamental. O ideal é realizar o controle no mesmo aparelho. Pequenas oscilações no laudo só indicam melhora real se superarem a margem de variação técnica do serviço. Além disso, condições como a artrose podem falsamente elevar a leitura da coluna. O número exige interpretação médica cuidadosa, não apenas comemoração.

Movimento é parte da prescrição médica

Proibir o exercício físico para quem tem osteoporose é um equívoco. A contração muscular e a carga estimulam a formação óssea. Treinos de força (como a musculação) preservam a densidade e a massa muscular, enquanto treinos de equilíbrio evitam quedas. Embora a caminhada seja benéfica, ela não substitui a necessidade de exercícios resistidos.

Pesquisas confirmam que exercícios resistidos de alta intensidade e impacto supervisionado trazem ganhos expressivos de densidade para mulheres no pós-menopausa. Todavia, a prescrição exige individualização: pacientes com fraturas vertebrais prévias ou alto risco de queda necessitam de adaptações, evitando flexões acentuadas da coluna sob carga. O caminho é o movimento orientado e seguro, nunca o repouso irrestrito.

Complementando o tratamento, a alimentação deve ser rica em cálcio e proteínas, com ajuste adequado da vitamina D. O uso de suplementos não substitui os medicamentos e o excesso não traz benefícios extras.

Estratégias de tratamento e o papel dos medicamentos

O ponto de partida é a avaliação do risco global de fraturas, combinando exames, hábitos e histórico clínico. Não se deve protelar o tratamento aguardando uma segunda fratura.

Para restaurar o equilíbrio da remodelação óssea, a medicina conta com duas vias principais:

  1. Antirreabsortivos: Diminuem a perda óssea. Incluem os bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ácido zoledrônico) e o denosumabe (injetável que bloqueia o sinal de reabsorção).
  2. Osteoanabólicos / Ação Dupla: Estimulam a formação de tecido ósseo novo. A teriparatida atua na formação, enquanto o romosozumabe oferece ação dupla (estimula a formação e reduz a reabsorção, exigindo atenção às contraindicações cardiovasculares).

Para pacientes de altíssimo risco, como aqueles com múltiplas fraturas vertebrais, começar o tratamento por um agente formador de osso para depois migrar para um antirreabsortivo tem demonstrado resultados superiores na redução de novas fraturas.

Por fim, a adesão contínua é indispensável. Fármacos como o denosumabe jamais devem ser interrompidos sem planejamento prévio, sob o risco de perda óssea acelerada. O propósito maior da terapia vai além de otimizar um laudo de exame: busca-se proteger a vida e preservar a independência do indivíduo.

baseado nas infromações de Artigo escrito pelo ortopedista Moisés Cohen, que também é Diretor e Fundador do Instituto Cohen de Ortopedia, Esporte e Saúde, além de Head nacional de ortopedia da Brazil Health – CRM/SP 31.863 | RQE: 10583

Imagem reprodução

BANNER-OUTUBRO-DE-OFERTA---300X100

artigos relacionados

PERMANEÇA CONECTADO

50,319FansLike
3,506FollowersFollow
22,900SubscribersSubscribe
BANNER OUTUBRO DE OFERTA - 320X320
BANNER - 320 x 320

Mais recentes