segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Com apoio da Emater, ribeirinhos do Marajó produzem “vinho de açaí”

Projeto da Embrapa beneficia assentamentos federais. O papel da Emater é de divulgação, mobilização e orientação sobre diversificação de atividades

Com o apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Afuá, no Marajó, ribeirinhos assentados da reforma agrária estão investindo em uma novidade do mercado amazônico: vinho tinto de açaí. 

A iguaria é uma proposta da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para mais um aproveitamento sustentável e lucrativo da principal cadeia produtiva das ilhas do município. O papel da Emater é de divulgação, mobilização e orientação sobre diversificação de atividades.  

“Nós colaboramos e estimulamos para que os atendidos pela Emater na sua vivência típica consigam ampliar e aprofundar possibilidades de trabalho, renda e valorização cultural. Para tanto, dispomos de ferramentas históricas, operacionais e de efetividade de políticas públicas, a exemplo de capacitação contínua, presença em eventos até internacionais, acompanhamento científicos dos processos e crédito rural”, explica o chefe do escritório local da Emater em Afuá, o engenheiro agrônomo Alfredo Rosas, especialista em Manejo Ambiental de Solos.

Desde o segundo semestre de 2025, uma oficina com distribuição de kits encaminhou pelo menos 20 famílias dos assentamentos federais Ilha Araraman e Ilha Charapucu para começarem a fermentar alcoolicamente a polpa de açaí, com resultado da bebida nas versões “suave” e “seco”. 

O produto engarrafado e rotulado, com 750 ml, é comercializado por encomenda e em feiras da região, a R$ 60 a unidade. O lucro estimado ultrapassa 50%. 

“Pra gente, é uma excelente oportunidade de negócio. Quando a remessa tá pronta, já tá quase tudo com comprador certo. É um trabalho artesanal e elaborado. Pretendemos avançar limites, divisas e fronteiras”, indica Kátia Pantoja, de 48 anos, secretária da Associação do Desenvolvimento Intercomunitário dos Rios Corredor, Furo dos Chagas, Maniva e Outros (Adincocma). 

Na comunidade São José do Rio Maniva, Kátia, o marido Giovanhi Fagundes, de 46 anos, e as duas filhas do casal, Rita de Cássia, de 18 anos, e Geovanna, de 22 anos, estão na terceira safra de vinho de açaí: cada vez é de cerca de 28 litros.

O fruto nativo é colhido no próprio lote, atravessado pelo igarapé Aruãs, a 15 minutos de viagem de rabeta de Macapá, capital do Estado vizinho. Inclusive, Rita de Cássia estuda Engenharia Florestal e Geovanna, Engenharia de Pesca, na Universidade Estadual do Amapá (Ueap). 

“Aqui produzimos na coletividade e acreditamos que o pensamento tem que ser de contribuição comunitária, vivência integrada e participação múltipla. A descoberta de mais um potencial do açaí agrega valor às nossas tradições de povo da floresta”, diz a matriarca. 

Pela Adincocma, o vinho de açaí já faz parte da marca Art-Mani (instagram: “art_mani.23”): um catálogo de óleos, pomada, sabão e xarope medicinais de sementes de andiroba e pracaxi, entre outras.

Texto: Aline Miranda/Ascom Emater

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