domingo, março 15, 2026
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Unicamp pode ter graduação em IA a partir do próximo vestibular

Curso de inteligência artificial e ciência de dados, com foco prático e interdisciplinar, aguarda votação final para iniciar em 2027, em Limeira

Tatiana Cavalcanti, colaboração para a CNN Brasil

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) está prestes a aprovar seu curso de graduação em inteligência artificial e ciência de dados já no próximo vestibular.

A proposta já passou por todas as fases anteriores e agora aguarda apenas o referendo do Consu (Conselho Universitário), a instância máxima de decisão da universidade, em reunião marcada para o final deste mês.

A Cepe (Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão) da Unicamp já havia aprovado a criação do bacharelado em 10 de fevereiro.

Se aprovado em definitivo, o curso deve integrar a programação do vestibular aplicado em outubro deste ano para início das aulas em fevereiro ou março de 2027, com a primeira turma em Limeira. A expectativa é que, a partir de 2028, o campus de Campinas também receba uma turma.

O professor Cristiano Torezzan, diretor associado da FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) da Unicamp, explica que a criação do curso é resultado de um planejamento de quase dez anos, intensificado nos últimos três, e reflete a necessidade de formar um profissional com uma visão mais abrangente, com habilidades que vão além da técnica

“Hoje, o profissional de ciência de dados e inteligência artificial precisa ter a capacidade de entender um problema apresentado por um médico, por exemplo, e traduzi-lo para que equipes de programadores e matemáticos possam desenvolver uma solução. Além disso, espera-se que ele próprio participe ativamente da implementação.”

O curso, que terá duração de quatro anos (oito semestres), sendo três de formação geral e um de especialização, será oferecido no período diurno.

A escolha de Limeira para sediar o curso, na FCA e na Faculdade de Tecnologia, é estratégica, segundo Torezzan, dada a massa crítica e os grupos de pesquisa já consolidados nessas unidades em torno da temática.

A Unicamp planeja contratar 14 novos docentes para o curso, além de envolver cerca de seis professores já existentes, totalizando aproximadamente 20 docentes ao longo da formação.

Foco na prática e na ética

formação em inteligência artificial e ciência de dados na Unicamp busca ir além do ensino tradicional, preparando profissionais para os desafios complexos do mundo atual, de acordo com o professor Torezzan.

A grade curricular é estruturada em seis eixos principais: matemática e estatística; computação; ferramentas de IA e ciência de dados; ênfase em áreas de aplicação; competências transversais (incluindo ética e responsabilidade social); e estágio.

O professor Torezzan enfatiza o caráter prático do bacharelado. “Já a partir do primeiro ano, esse curso vai ter o que a gente chama de projetos integradores”.

Isso significa que os estudantes serão expostos a problemas reais desde cedo, aplicando os conhecimentos teóricos na busca por soluções.

O professor Cristiano Torezzan, diretor associado da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp • Divulgação/Unicamp
O professor Cristiano Torezzan, diretor associado da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp • Divulgação/Unicamp

O curso terá ênfase em três áreas de especialização: cidades inteligentes e sustentáveis; saúde e esporte de alto rendimento; e governo digital e políticas públicas. Essas trilhas foram pensadas para desenvolver soluções que beneficiem diretamente a população, segundo Torezzan.

A Unicamp também estuda a possibilidade de oferecer essas ênfases como especializações de um ano para profissionais já graduados em outras áreas.

A preocupação com a ética no uso da inteligência artificial é um pilar fundamental do curso. “A IA não é mais como um software. Algoritmos de inteligência artificial não podem ser encarados como um software de prateleira de gestão de supermercado”, explica Torezzan, alertando para o potencial de interferência desses algoritmos em diversas esferas e a necessidade de profissionais atentos a essa responsabilidade.

A Unicamp também busca a internacionalização do curso, já tendo iniciado contatos para a possibilidade de um duplo diploma com a Université Grenoble Alpes, na França, o que poderia beneficiar os estudantes a partir do terceiro ano.

Graduação em inteligência artificial e ciência de dados

  • Instituição: Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)
  • Unidades responsáveis: Faculdade de Ciências Aplicadas e Faculdade de Tecnologia
  • Localização: campus Limeira (com expectativa de turma em Campinas a partir de 2028)
  • Previsão de início: março de 2027 (para a primeira turma)
  • Duração: 4 anos (8 semestres)
  • Carga horária: 3.240 horas
  • Vagas: 40 (no total, para a primeira turma)
  • Modalidade: Diurno
  • Especialidades (trilhas): cidades inteligentes e sustentáveis; saúde e esporte de alto rendimento; governo digital e políticas públicas
  • Corpo docente: contratação de 14 novos professores, além de cerca de seis docentes já existentes
  • Processo seletivo: vestibular Unicamp, Enem e Olimpíadas Científicas
  • Diferenciais: forte caráter prático com “projetos integradores” desde o primeiro ano; formação holística com foco em soft skills e ética; possibilidade de duplo diploma internacional com a Université Grenoble Alpes, na França

Divulgação/Unicamp

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