quarta-feira, março 11, 2026
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Atuação feminina na Fundação ParáPaz fortalece acolhimento a vítimas de violência

Profissionais atuam na escu0ta, orientação e encaminhamento de mulheres, incluindo crianças e adolescentes, atendidas pela rede estadual de proteção social

Por Nathalia Mota (PARAPAZ)

Nas unidades da Fundação ParáPaz, o trabalho de acolhimento a vítimas de violência é realizado diariamente por equipes multiprofissionais, compostas por mulheres. Psicólogas, assistentes sociais, pedagogas e outras profissionais atuam na escuta, orientação e encaminhamento de mulheres – incluindo crianças e adolescentes -, que buscam apoio na instituição.

Em 2024, foram realizados 8.910 atendimentos nas 17 unidades especializadas que funcionam na Região Metropolitana de Belém e municípios do interior, envolvendo escuta psicológica, orientação social, atendimentos médicos e encaminhamentos para a rede de proteção. Em 2025, foram registrados 9.534 atendimentos.

Com 19 anos de atuação em Serviço Social, e há sete anos na Fundação, a assistente social Rosa Paes, coordenadora da ParáPaz Mulher – Casa Brasileira, em Ananindeua (na Região Metropolitana de Belém), destaca que o atendimento realizado pelas profissionais é fundamental para garantir acolhimento e segurança às vítimas. A diretriz está prevista na Lei Maria da Penha, que garante a mulheres em situação de violência o atendimento, preferencialmente, feito por profissionais do sexo feminino.

Assistente social Rosa Paes coordena a unidade ParáPaz Mulher – Casa Brasileira, em Ananindeua
Assistente social Rosa Paes coordena a unidade ParáPaz Mulher – Casa Brasileira, em Ananindeua

“Evita a revitimização e cria um ambiente de identificação e segurança. A mulher agredida, muitas vezes, sente receio do olhar julgador masculino. Ao ser acolhida por outra mulher, cria um vínculo de confiança, que facilita o relato e o rompimento do ciclo da violência. É uma questão de humanização prevista em protocolo”, ressalta Rosa Paes.

A experiência no atendimento às vítimas tem mostrado à psicóloga Marilúcia Bezerra, que atua há cinco anos no ParáPaz Mulher, em Belém, o impacto do acompanhamento oferecido às mulheres. Para ela, alguns momentos deixam ainda mais evidente a importância desse trabalho. “Nos momentos de alta percebemos o quanto elas são resilientes. Muitas relatam que conseguiram se reencontrar, entender o que querem para suas vidas, tanto no aspecto pessoal quanto profissional, e passam a reconhecer também quais relações podem ser saudáveis ou não para elas”, explica a psicóloga.

Coordenadora da Mulher da Fundação ParáPaz, Patrícia Potiguar, ministrando palestra sobre prevenção à violência
Coordenadora da Mulher da Fundação ParáPaz, Patrícia Potiguar, ministrando palestra sobre prevenção à violência

Programação itinerante – A Coordenação da Mulher, tendo à frente a advogada Patrícia Potiguar, desenvolve ações de prevenção e enfrentamento à violência por meio de atividades itinerantes, como palestras, rodas de conversa, atendimentos e encaminhamentos para a rede de proteção, além de iniciativas de formação e inclusão voltadas ao fortalecimento da autonomia de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Segundo ela, “uma política pública estruturada é fundamental para garantir que as assistidas tenham acesso à proteção e ao atendimento especializado, além de conhecer seus direitos e encontrar caminhos para reconstruir suas vidas”.

Proteção à infância – No atendimento a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, o acolhimento também é especializado. Nas unidades, equipes multiprofissionais, compostas por profissionais femininas, garantem atendimento humanizado tanto às jovens quanto a seus responsáveis, de forma gratuita.

Vânia Tangerino, coordenadora da CAI Polícia Científica: histórias com impacto emocional
Vânia Tangerino, coordenadora da CAI Polícia Científica: histórias com impacto emocional

A assistente social Vania Tangerino, que está há seis anos no Centro de Atendimento Integrado (CAI) ParáPaz, da Polícia Científica, em Belém, e já percorreu diversos municípios ministrando palestras de capacitação para a rede de proteção, afirma que um dos maiores desafios é lidar com o impacto emocional das histórias que escuta diariamente. Segundo ela, é preciso buscar equilíbrio para continuar exercendo a profissão de forma responsável e sensível.

“Acredito que o que me faz continuar é saber que cada criança ou adolescente atendido pode ter sua história transformada. Mesmo diante de tantas dificuldades, ver um olhar que volta a ter esperança, uma família que encontra apoio ou um direito que finalmente é garantido me lembra que essa luta vale a pena todos os dias”, ressalta a profissional.

Assistente social Angélica Guerreiro atua no CAI ParáPaz Santa Casa acolhendo vítimas de violência
Assistente social Angélica Guerreiro atua no CAI ParáPaz Santa Casa acolhendo vítimas de violência

No CAI ParáPaz Santa Casa, na capital, a assistente social Angélica Guerreiro explica que o trabalho exige sensibilidade de toda a equipe. Como a unidade atende exclusivamente casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, conta com equipe formada por ginecologista, pediatra, enfermeira e pedagoga, além das demais profissionais responsáveis pelo acolhimento desde a chegada das famílias.

“A recepção tem papel fundamental porque é o primeiro momento de quem chega. É um trabalho delicado porque escutamos histórias que não deveriam ter acontecido, situações que acabam roubando a infância dessas crianças. Mas, ao mesmo tempo, é gratificante saber que fazemos parte de uma equipe que ajuda a amenizar esse trauma, e a dar mais esperança para essas famílias”, enfatiza Angélica Guerreiro. 

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