domingo, fevereiro 8, 2026
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Estudo: Polícia Civil é a instituição menos transparente sobre uso de arma

Levantamento dos institutos Igarapé e Sou da Paz mostra que o órgão deixa de responder a 78% dos pedidos de acesso à informação

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo

Polícia Civil é a instituição de segurança pública com o menor índice de transparência no Brasil em relação a dados sobre armas de fogo. Segundo o relatório, produzido pelos institutos Igarapé e Sou da Paz, a corporação deixou de responder a 78% dos questionamentos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI) entre 2021 e 2023.

O desempenho coloca o órgão abaixo da Polícia Militar e dos DPTC (Departamentos de Polícia Técnico-Científica) no ranking de qualidade de dados.

Comparativo entre as instituições de segurança

O estudo avaliou a transparência passiva das três principais frentes de segurança estaduais.

Enquanto a Polícia Civil lidera a opacidade com 78% de ausência de respostas, a Polícia Militar não atendeu a 70% dos pedidos, e os Departamentos de Perícia (DPTC) apresentaram o melhor desempenho relativo, embora ainda baixo, com 66% de solicitações não respondidas.

As instituições foram questionadas sobre três categorias principais: investigação (rastreamento de armas e munições), controle interno (armas institucionais e orçamentos) e entrada e saída (apreensões e destruição de armamentos).

A categoria de investigação foi a que obteve o pior índice geral de retorno, com apenas 16% de respostas em todo o país.

Por que a Polícia Civil é a menos transparente?

O baixo desempenho da Polícia Civil é atribuído a uma combinação de silêncio institucional e justificativas de impossibilidade técnica.

Entre os principais motivos listados, na pesquisa dos institutos, estão:

  • Alto índice de negativas e silêncio: A corporação apresenta o maior percentual de perguntas ignoradas ou negadas sistematicamente.
  • Inexistência de protocolos: Em casos como a identificação da origem de armas apreendidas, 31% das Polícias Civis justificaram a negativa afirmando que não possuem protocolos para tal procedimento.
  • Alegação de competência: O órgão frequentemente alega que a informação solicitada é de responsabilidade de outra instituição, mas, ao contrário do que prevê a legislação, raramente encaminha o cidadão ao canal correto.
  • Casos críticos: Estados como Paraná, Rio de Janeiro e Piauí registraram pontuações zeradas ou negativas para a Polícia Civil em todos os anos da análise, seja por alegação de sigilo total ou por ignorar completamente os pedidos.

CNN Brasil entrou em contato com as secretarias de Segurança Pública de todos os estados para pedir um posicionamento sobre os dados. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada com os respectivos posicionamentos.

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