Evento teve oficinas de fantasias, desfiles e apresentações culturais de artistas autistas
Por Ingo Müller (SESPA)
O governo do Pará, através da Coordenação Estadual de Políticas para Autismo (CEPA), vinculada à Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), realizou neste sábado (7), no Parque da Cidade, a terceira edição do CarnaTEA – uma festa de carnaval inclusiva voltada para as pessoas com transtorno do espectro autista.
O evento contou com a participação de mais de 400 famílias, que aproveitaram a programação de carnaval especial adequada ao público neuroatípico. “O Carnaval é uma festividade nacional, todo mundo adora, então nossa ideia foi adaptar essa festa para que as famílias de crianças e adolescentes atípicos possam aproveitar o Carnaval de forma segura, com toda uma programação de baixo estímulo, com controle de som, iluminação, com um ambiente seguro, uma temperatura agradável, onde a gente tem uma equipe qualificada e multiprofissional para fazer o acompanhamento dessas pessoas, inclusive com uma sala de acomodação sensorial para qualquer criança que tenha um desconforto durante a festa”, disse a coordenadora da CEPA, Brenda Maradei.
Diversão para todos
O CarnaTEA contou com uma programação especial, com diversas atividades gratuitas como oficina de máscaras, desfile de fantasias, brincadeiras lúdicas e apresentações artísticas com ruído controlado e shows de artistas autistas como o DJ Martin Blue, o dançarino Miguel, a cantora Layza Moraes e os dançarinos Ricardo e Yan Moraes, que foram revelados nos concursos de artistas TEAlentos promovido pelo governo do Estado em 2022 e 2023.
A animação também ficou por conta do boneco Utelino de Icoaraci, que realizou um animado cortejo carnavalesco, e da bateria do Curro Velho, que realizou um arrastão com músicas de carnaval – tudo num volume controlado, para não incomodar os foliões.

Esse cuidado com a sensibilidade sensorial foi um dos fatores que fez com que Maísa Teixeira decidisse participar da folia ao lado do seu filho Kleber, de 12 anos. “Ele queria muito vir pra uma festa de carnaval, ele queria muito uma festa com crianças, mas em alguns momentos ele fica nervoso com muita gente e barulho, então eu achei muito bacana a ideia de incluir as crianças no carnaval com um som que ele consiga curtir. Num ambiente mais calmo, com orientação melhor, é bem mais legal para ele”, disse.
“Hoje nós estamos realizando aqui no Parque da Cidade o terceiro CarnaTEA. É um evento inclusivo, para toda pessoa com deficiência e seus familiares. Temos apresentações musicais, artistas autistas e um som ambiente, adequado para as pessoas atípicas”, disse a servidora Swiany Soares, da CEPA.
Para Sandra Maria e seu filho Saulo, de 8 anos, a atividade mais divertida foi a oficina de confecção de máscaras, onde as crianças puderam colocar a mão na massa e criar seus próprios adereços. “O CarnaTEA é maravilhoso, tudo está ótimo, uma boa recepção que fez as crianças se sentirem bem. Ele gostou muito da decoração e das máscaras que está fazendo”, destaca.
Direitos garantidos

O governo do Pará confeccionou 441 carteiras CIPTEA, para serem entregues durante o CarnaTEA. “A carteira da CIPTEA é um direito garantido das pessoas com autismo. Ela dá direito ao acesso e prioridades de atendimento e direto ao reconhecimento das pessoas. A carteira é gratuita, e para solicitar basta acessar o site da CIPTEA”, explicou a servidora Mayara Carvalho.
Oportunidade de renda extra
Durante o CarnaTEA também ocorreu uma edição especial da Feira do Empreendedorismo Inclusivo, um evento criado pelo governo do Pará com o objetivo de proporcionar oportunidades de trabalho e renda para empreendedores que sejam autistas e pais, mães ou familiares de crianças autistas.
Doze empreendedoras participaram da feira. Uma delas foi Letícia Lobato de Lima, que tem dois filhos – um deles no espectro autista. “A Feira representa a oportunidade pra gente ter uma ajuda a mais na nossa renda familiar, né? E eu comecei com isso quando eu descobri que o meu filho é autista, ele tinha mais ou menos 5 anos – hoje tem 14. Na época eu comecei a fazer esse projeto de alfabetizar ele, porque as escolas não tinham didática, e hoje em dia vendo materiais para qualquer criança aprender brincando”, revela.
Parceria entre governo e prefeitura

A prefeitura de Belém também participou do CarnaTEA através da Secretaria Municipal da Primeira Infância, reforçando a parceria com o governo do Estado para assegurar os direitos das crianças.
“Essas ações de articulações com o governo do Estado do Pará têm sido essenciais para a gente proteger uma faixa etária bem específica, que é de zero a seis anos, a chamada primeira infância, onde também acontece na maioria das vezes o diagnóstico do transtorno do espectro do autismo e de outras condições do neurodesenvolvimento. Então essa articulação é essencial porque a gente potencializa as ações que o município está realizando com as ações do governo do Estado do Pará. Hoje a gente está aqui presente justamente para potencializar essa ação conjunta”, disse a secretária da Primeira Infância, Flávia Marçal.







