Em meio a pressão para que o Irã aceite um acordo para abrir o estreito de Hormuz proposto pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (6) que o país inteiro pode ser destruído em uma noite.
“Essa noite pode ser amanhã”, disse o republicano em pronunciamento à imprensa, dando novo prazo para seu ultimato à liderança persa: esta terça (7), 21h, pelo horário de Brasília.
Durante o pronunciamento, Trump falava ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth, do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, e de John Ratcliffe, diretor da CIA. Na sala, também estavam presentes familiares de Trump, além de Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio.
No início da fala, Trump deu detalhes sobre o resgate dos aviadores americanos cujo caça foi atingido por forças do Irã na sexta (3), dizendo que a operação para resgatá-los envolveu 155 aeronaves e ações para despistar os iranianos. Segundo Trump, foi uma das mais complexas ações militares da história dos EUA.
Os dois tripulantes -um piloto e um oficial de sistemas de armas de aeronave- se ejetaram segundos antes de o caça ser atingido e se chocar violentamente contra o solo. Os militares se separaram, com o primeiro mantendo “comunicação constante” com sua unidade e sendo resgatado no dia da queda, cerca de seis horas depois, por uma força que incluía aviões de ataque e helicópteros.
O oficial de sistemas, por sua vez, subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros de altura e se escondeu em uma fenda até ser encontrado pelas forças americanas. As intensas buscas levantaram preocupações de que o segundo militar desaparecido, caso fosse capturado pela regime iraniano, pudesse ser usado como forma de pressão contra Washington. O Irã ofereceu uma recompensa para quem o encontrasse.
Hegseth comparou o resgate do operador com o Tríduo Pascal, período entre sexta-feira e domingo de Páscoa. “Abatido em uma sexta-feira: Sexta-feira Santa. Escondido em uma caverna, em uma fenda, durante todo o sábado”, disse o secretário. “E resgatado no domingo. Retirado do Irã enquanto o sol nascia no Domingo de Páscoa.”
O secretário de Defesa tem feito uma série de referências religiosas cristãs na comunicação oficial sobre a guerra, dizendo, inclusive, que os soldados americanos lutam por Jesus Cristo.
Além de detalhar a operação, Trump demonstrou irritação com a imprensa e com uma pessoa que ele chamou de “vazador” por divulgar, na sexta-feira, que o piloto do avião havia sido resgatado com sucesso antes de o segundo membro da tripulação estar em segurança.
“Vamos conseguir descobrir [sua identidade] porque vamos até a empresa de mídia que divulgou isso e vamos dizer: segurança nacional, revele a fonte ou vá para a prisão”, disse Trump. “A pessoa que fez a reportagem vai para a cadeia se não disser.”
Mais cedo, durante o tradicional evento de Páscoa na Casa Branca, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã ao responder perguntas de jornalistas, e afirmou que os Estados Unidos estariam “destruindo o país” devido à recusa de sua liderança em ceder.
Ele também declarou que os americanos estariam agora diante de uma terceira geração de líderes iranianos, que, segundo ele, “não é tão radicalizada”.








