A autorização do Ministério da Educação (MEC) para ampliar de 50 para 113 as vagas do curso de Medicina em Abaetetuba consolida o município como um dos principais polos de formação médica do nordeste paraense. A decisão foi resultado de avaliação de monitoramento, que concedeu conceito máximo à instituição em indicadores como infraestrutura, corpo docente, projeto pedagógico e desempenho acadêmico.
A expansão atende a uma demanda histórica da região por mais profissionais e está alinhada às diretrizes do programa Mais Médicos, que prioriza a criação de vagas em localidades com escassez de mão de obra. Na prática, a ampliação de vagas permite que jovens do nordeste do Pará realizem o sonho de cursar medicina sem precisar migrar para grandes centros urbanos, e mais do que isso, aumentam as chances de que esses futuros profissionais permaneçam em seus municípios de origem.
É a realidade de Mayara Vilhena Maués, aluna do 5º semestre de medicina. Filha de lavradores, ela cresceu ouvindo do avô que “filho de lavrador tinha que ser doutor”. Hoje, transforma esse incentivo em propósito. ”Não foi fácil chegar até aqui, mas escolho a medicina todos os dias, porque quero fazer a diferença na vida das pessoas e mudar a realidade da minha família. Estudar perto de casa, com o apoio da minha família, faz toda a diferença”, afirma com orgulho.
Moradora de Abaetetuba, ela destaca que a possibilidade de se formar na própria cidade fortaleceu seu vínculo com a comunidade. “Sempre soube que queria medicina. Hoje, me sinto privilegiada por poder estudar perto da minha família e da minha realidade”, reforça. Ao concluir o curso, ela pretende se especializar em pediatria e seguir atuando no município. “Quero oferecer um atendimento mais humano e de qualidade para a população de Abaetetuba”.
Além de estudante, Mayara também atua como Agente Comunitária de Saúde (ACS) no município, o que reforça sua conexão com a prática desde cedo. “Nas visitas domiciliares, consigo orientar as famílias, identificar possíveis problemas de saúde e encaminhar para a UBS. É muito gratificante perceber, na prática, o impacto do que a gente aprende na faculdade”.

Formação conectada à realidade amazônica
Segundo o diretor da Afya Abaetetuba, Dr. Álvaro Pinto, a ampliação das vagas reforça o papel estratégico da instituição no desenvolvimento regional. “A ampliação das vagas representa muito mais do que um crescimento numérico. Ela nos permite expandir e consolidar um projeto de transformação da saúde na região. Ao formar mais médicos aqui, conectados à realidade amazônica e às necessidades da nossa população, fortalecemos um ciclo virtuoso: educação de qualidade, permanência profissional no território e impacto direto na assistência à comunidade.”, afirma.
A graduação integra teoria e prática desde o primeiro período, com atividades em laboratórios multifuncionais, análise de casos reais e vivência nos serviços de saúde. O modelo prepara médicos com visão crítica, raciocínio clínico e sensibilidade social para atuar em contextos complexos como o da Amazônia. “Um dos nossos diferenciais é a inserção do estudante desde o primeiro semestre nos cenários reais de prática, integrados à rede de saúde do município. Essa vivência precoce garante não apenas domínio técnico progressivo, mas também sensibilidade social e compreensão das necessidades da população”, destaca o diretor.
A partir de 2026, todos os acadêmicos de medicina da Afya têm acesso gratuito ao Afya Whitebook, solução de IA de suporte à atuação clínica usada por 80% dos médicos recém-formados, ao Afya Play, plataforma multiconteúdo para apoio aos estudos, e ao Afya Ciência de Dados e Saúde Digital, um curso tecnólogo EAD, que permite ao estudante ter opção de uma dupla graduação, uma vantagem competitiva ao se formar. Além disso, os alunos têm descontos em cursos de pós-graduação, aprimoramento e atualização da Afya Educação Médica.
Parte dessa formação acontece também na Clínica Acadêmica, oferecendo atendimentos gratuitos à população de Abaetetuba e região. O ambulatório-escola já contabiliza mais de 1.600 atendimentos desde a sua inauguração em julho de 2025. O espaço conta com 20 consultórios de Clínica Médica, quatro de Ginecologia e Obstetrícia, salas para pequenos procedimentos, curativos, sala de discussão de casos clínicos, uma central de telemedicina, espaço de acolhimento e uma brinquedoteca. Entre as especialidades ofertadas estão: Pediatria, Pequenos procedimentos cirúrgicos, Cardiologia, Geratriz e Ginecologia e Obstetrícia. A iniciativa fortalece o vínculo entre a instituição e a comunidade, ao mesmo tempo em que contribui para reduzir a fila do SUS na região.
Além disso, os estudantes participam de ações de extensão em comunidades ribeirinhas, populações tradicionais e grupos em situação de vulnerabilidade social, levando educação em saúde e cuidado médico para territórios que historicamente enfrentam dificuldades de acesso aos serviços. “Destaco o projeto de extensão “Rios de Saúde”, que amplia o impacto da formação acadêmica para além dos muros da instituição, levando atendimento, orientação e cuidado às comunidades ribeirinhas e quilombolas, fortalecendo o papel social da graduação”, enfatiza o Dr.Álvaro Pinto.
O projeto teve sua 3ª edição realizada entre os dias 30 de junho e 1º de julho do ano passado, na comunidade quilombola de Piratuba, em Abaetetuba. Ao longo de dois dias, foram realizados 328 atendimentos nas áreas de clínica médica, pediatria, cardiologia, geriatria e psiquiatria, além de visitas domiciliares. A ação contou com a participação de acadêmicos e profissionais de diferentes unidades da Afya, inclusive de outros estados, fortalecendo a troca de experiências, a integração entre equipes e o alcance do cuidado prestado à comunidade.
Este ano, a Afya Abaetetuba inicia a primeira turma do internato médico, etapa de suma importância na formação, onde o estudante fortifica competências clínicas, amadurece sua postura profissional e se prepara para o exercício pleno da medicina.
Com a ampliação das vagas, a Afya Abaetetuba se consolida como polo de formação médica no nordeste paraense, que beneficia não apenas o município, mas toda a região, que passa a contar com maior oferta de profissionais qualificados no futuro. Para estudantes como Mayara, a expansão representa mais do que números: é a chance real de transformar vidas.
Por Alessandra Barreto/Temple/Imagens: Divulgação








