A tradição centenária do Sermão das Sete Palavras voltou a reunir centenas de fiéis nesta Sexta-feira Santa, 03, na capela do Colégio Santo Antônio, no centro de Belém. Em sua 147ª edição, a celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Júlio Endi Akamine, que conduziu a meditação das últimas palavras de Jesus Cristo na cruz — momento central da espiritualidade católica durante a Semana Santa.
Realizado ao meio-dia, o sermão — também conhecido como “Sermão das Três Horas da Agonia” — mantém viva uma tradição iniciada ainda em 1879, e que convida os fiéis ao silêncio, à oração e à reflexão profunda sobre a paixão e morte de Cristo.
Reflexão sobre dor, misericórdia e esperança
Durante a celebração, Dom Júlio Akamine destacou o significado espiritual das sete palavras de Jesus, ressaltando que elas expressam, ao mesmo tempo, dor humana e amor redentor. A mensagem central do arcebispo girou em torno da misericórdia, do perdão e da confiança em Deus, mesmo diante do sofrimento.
Ao meditar sobre frases como “Pai, perdoa-lhes” e “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”, o arcebispo reforçou que a cruz não representa derrota, mas entrega total e amor extremo pela humanidade. A reflexão também apontou para a necessidade de conversão interior e de vivência concreta da fé no cotidiano.
Dom Júlio convidou os fiéis a enxergarem, nas palavras de Cristo, um chamado à transformação pessoal e à prática do bem, em sintonia com seu lema episcopal: “Não vos canseis de fazer o bem”.
SILÊNCIO E ESPIRITUALIDADE
A celebração foi marcada por um ambiente de profundo recolhimento. Entre cada uma das sete palavras, houve pausas para oração e meditação, acompanhadas por cânticos tradicionais que reforçam o caráter contemplativo do rito.
O Sermão das Sete Palavras relembra as frases ditas por Jesus durante sua crucificação, como “Tenho sede” e “Tudo está consumado”, consideradas pela Igreja como síntese do mistério da salvação .
TRADIÇÃO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES
Mais do que uma celebração religiosa, o sermão é considerado um dos momentos mais simbólicos da Semana Santa em Belém, reunindo gerações de fiéis em uma experiência de fé coletiva. Ao longo dos anos, a cerimônia consolidou-se como patrimônio espiritual da cidade, mantendo viva a devoção e a cultura religiosa local .
Em 2026, sob a condução de Dom Júlio Akamine, a celebração reafirmou sua relevância, renovando a mensagem de esperança e fé em meio aos desafios contemporâneos.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução/O Liberal







