Alta nos preços dos veículos novos, crédito mais restrito e busca por economia impulsionam mercado de seminovos e usados; especialistas alertam para riscos e dão dicas para evitar prejuízos
O mercado de carros usados e seminovos no Brasil atingiu um recorde histórico em 2025, impulsionado principalmente pelo alto custo dos veículos zero quilômetro, taxas de juros ainda elevadas e pela busca do consumidor por opções mais acessíveis. Segundo dados do setor automotivo, o volume de negociações superou com folga o registrado nos anos anteriores, consolidando o segmento como alternativa dominante para quem deseja trocar ou adquirir um veículo.
No Pará, o cenário segue a mesma tendência nacional. Revendas multimarcas, feirões e plataformas digitais ampliaram as vendas, atraindo consumidores de diferentes perfis. No entanto, o crescimento acelerado do mercado também acendeu um alerta para golpes, fraudes e problemas mecânicos ocultos, que podem transformar o sonho do carro próprio em dor de cabeça.
Preço atrativo, mas riscos ocultos
A principal vantagem do carro usado continua sendo o preço, que pode representar uma economia de até 40% em relação a um modelo novo. No entanto, especialistas reforçam que o valor mais baixo não deve ser o único critério de escolha.
“É fundamental desconfiar de ofertas muito abaixo da média do mercado. Em muitos casos, o veículo pode ter histórico de sinistro, adulteração de quilometragem ou pendências judiciais”, explica um consultor automotivo ouvido pela reportagem.
O que observar antes de fechar negócio
Para evitar armadilhas, especialistas recomendam alguns cuidados básicos, mas decisivos, antes da compra:
- Consulta da documentação: verificar se há débitos, multas, restrições judiciais ou registro de roubo e furto;
- Histórico do veículo: checar se o carro já passou por leilão, sofreu colisões graves ou enchentes;
- Vistoria mecânica e estrutural: sempre que possível, levar o veículo a um mecânico de confiança para avaliar motor, câmbio, suspensão e estrutura;
- Quilometragem compatível: desgaste de volante, pedais e bancos deve condizer com o número indicado no painel;
- Contrato e recibo: atenção às cláusulas e à transferência imediata para evitar problemas futuros.
Compra entre particulares exige cuidado extra
As negociações diretas entre pessoas físicas cresceram com força em 2025, principalmente por meio das redes sociais e aplicativos de venda. Apesar de geralmente oferecerem preços mais baixos, esse tipo de compra exige atenção redobrada, já que não há garantias legais semelhantes às oferecidas por concessionárias.
“Golpes envolvendo falsos intermediários e anúncios clonados aumentaram significativamente. Nunca faça pagamentos antecipados e evite negociar fora das plataformas oficiais”, alerta um especialista em segurança digital.
Garantia e direitos do consumidor
No caso das compras realizadas em revendas, o Código de Defesa do Consumidor assegura garantia legal para defeitos ocultos, mesmo em veículos usados. Por isso, guardar notas fiscais, contratos e registros de conversa pode ser essencial em caso de necessidade de reparação ou ação judicial.
Tendência deve continuar
A expectativa do setor é que o mercado de usados siga aquecido ao longo de 2026, especialmente enquanto os preços dos veículos novos permanecerem elevados. Para o consumidor, a palavra-chave segue sendo informação.
Pesquisar, comparar e verificar cada detalhe antes da compra continua sendo a melhor forma de garantir um bom negócio — e evitar que a economia inicial se transforme em prejuízo.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ









