O que deveria ser uma noite de celebração para o Real Madrid transformou-se em mais um episódio lamentável de racismo no futebol europeu. Na última terça-feira (17), o clube espanhol venceu o Benfica por 1 a 0, em Portugal, pelo jogo de ida dos playoffs das oitavas de final da Champions League. No entanto, o gol decisivo marcado por Vinicius Júnior ficou em segundo plano diante de uma grave acusação contra o meia adversário, Prestianni.
O Incidente em Campo
Durante a partida, o atacante brasileiro teria sido chamado de “mono” (macaco, em espanhol) pelo jogador do time português. Segundo relatos, Prestianni utilizou a camisa para cobrir a boca enquanto proferia os insultos, na tentativa de esconder a fala das câmeras.
O protocolo antirracismo da Fifa chegou a ser acionado pela arbitragem, resultando em uma paralisação de 10 minutos. Apesar da interrupção e da tensão evidente, o jogo foi retomado sem que medidas imediatas fossem tomadas. O próprio Vinicius Jr. questionou a arbitragem após ser punido com um cartão amarelo, momento que foi detalhado em uma leitura labial feita pelo dublador Gustavo Machado.
Reações e Revolta
A indignação tomou conta do vestiário merengue. Kylian Mbappé, visivelmente revoltado, saiu em defesa do companheiro e se recusou a pronunciar o nome do agressor:
“O número 25 do Benfica — não quero dizer o seu nome porque não merece — não merece jogar mais na Champions League”, afirmou o astro francês após o apito final.
Defesa e Próximos Passos
Nesta quarta-feira (18), o Benfica publicou um vídeo oficial defendendo Prestianni, alegando que, devido à distância entre os atletas, seria impossível para os jogadores do Real Madrid terem ouvido o que afirmam.
Por outro lado, a Uefa informou que está analisando os relatórios oficiais:
- Investigação: Caso os fatos sejam confirmados no relatório, uma investigação disciplinar será aberta.
- Sanções: Possíveis punições serão anunciadas no site oficial da entidade assim que o processo for concluído.
Um Marco Triste na Carreira de Vini Jr.
Embora Vinicius Júnior seja um símbolo global da luta contra o racismo e tenha sofrido inúmeros ataques de torcidas organizadas desde 2018, esta é a primeira vez na carreira que o brasileiro acusa um colega de profissão, dentro das quatro linhas, de injúria racial.
O Real Madrid deve formalizar a denúncia junto à Uefa nos próximos dias, buscando punições severas para o caso.
Pedro Loureiro/Eurasia Sport Images/Getty Images







