terça-feira, fevereiro 3, 2026
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Voluntários de diferentes regiões do Brasil participam de imersão em comunidades do Marajó

Intercâmbio do Instituto Mondó reuniu estudantes e profissionais de várias áreas em ações presenciais e remotas em Breves (PA).

O Instituto Mondó realizou a 4ª edição do Intercâmbio Mondó, reunindo 18 voluntários de diferentes regiões do Brasil para uma imersão em comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas de Breves, no Arquipélago do Marajó, no Pará. A iniciativa ocorreu entre os dias 25 e 29 de janeiro, em formato presencial e remoto, e promoveu o intercâmbio de saberes entre profissionais de diversas áreas e a população local, reforçando o alcance nacional do programa.

Além de voluntários do próprio município, participaram estudantes e profissionais dos estados do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará, Pará e São Paulo. Para o Instituto Mondó, a presença de pessoas de diferentes partes do país contribui para ampliar a compreensão sobre a realidade marajoara e fortalecer trocas entre territórios.

Atuação integrada no território

Durante a programação, os voluntários atuaram em áreas como educação, saúde, comunicação, geração de renda e fortalecimento comunitário, com atividades distribuídas entre zonas urbanas, rurais e ribeirinhas de Breves. As ações incluíram visitas a escolas e bibliotecas, oficinas educativas, rodas de conversa com jovens e lideranças comunitárias, além de formações em comunicação popular, educação financeira, marketing para pequenos negócios e debates sobre mudanças climáticas.

Na área da saúde, foram realizados atendimentos como fisioterapia, clínica geral e ações de saúde mental, ampliando o acesso a serviços em comunidades que enfrentam dificuldades históricas de deslocamento. Moradora da comunidade ribeirinha de São Pedro, Erika Pinheiro Lima relata que participou dos atendimentos psicológicos realizados durante o intercâmbio e destaca a importância da iniciativa para sua saúde emocional. Segundo ela, o acompanhamento foi fundamental para lidar com a ansiedade e o estresse vivenciados no dia a dia. “Foi a primeira vez que tivemos esse tipo de atendimento na Vila, e acredito que poderia acontecer mais vezes, porque muita gente aqui também precisa desse apoio e não tem condições de ir até a cidade. Para nós, é muito mais fácil e acessível quando o atendimento vem até a comunidade”, afirma.

A experiência no território também impactou os próprios voluntários. Maria Gabriele, estudante de medicina de Santa Catarina, conta que a vivência no Marajó revelou uma realidade diferente daquela que conhece em sua região de origem. De acordo com ela, muitas pessoas demoram anos para buscar atendimento médico, cenário agravado pelas dificuldades logísticas. “Em alguns atendimentos, principalmente os que realizei com mulheres, havia pessoas que faziam anos que não buscavam algum tipo de ajuda médica”, relata.

A diversidade de formações dos voluntários entre áreas como medicina, psicologia, fisioterapia, pedagogia, assistência social, contabilidade e jornalismo, contribuiu para uma atuação integrada, combinando conhecimentos técnicos, experiências humanas e sensibilidade social em diálogo com as demandas das comunidades marajoaras.

Segundo Fernanda Pinheiro, coordenadora de Voluntariado e do núcleo de Educação e Renda, trazer voluntários de fora para o Marajó ajuda a revelar que “por trás da floresta, existem pessoas que cuidam dela e também precisam ser cuidadas”. Ela ressalta que a proposta do intercâmbio é baseada no respeito e na valorização do território: “não precisamos ser salvos, mas sim mais valorizados, respeitados e reconhecidos pela riqueza da nossa cultura e pelas trocas que podemos oferecer”.

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