Por meio de projetos de extensão da Uepa e do Instituto Carlos Gomes, iniciativas públicas promovem disciplina e inclusão para crianças e jovens.
Entendida como uma poderosa ferramenta de transformação social, a educação musical vem sendo utilizada pelo governo do Estado do Pará como uma estratégia fundamental para impulsionar o desenvolvimento escolar da juventude paraense. Por meio de projetos de extensão realizados por instituições públicas de ensino, como a Universidade do Estado do Pará (Uepa) e o Instituto Estadual Carlos Gomes (IECG), o aprendizado da música tem gerado impactos que vão muito além dos palcos: o fomento à disciplina, inclusão, concentração, socialização e a melhora direta no desempenho acadêmico.
Projeto “Aqui tem Música” democratiza o acesso na periferia de Belém
Desenvolvido pela Uepa, o projeto de extensão “Aqui tem Música” proporciona educação musical para crianças de 7 a 13 anos da Educação Básica, tendo como base a Escola Estadual Waldemar Henrique, no bairro do Bengui, em Belém. Ao longo de três anos de atividades — repletos de aulas, ensaios e apresentações na comunidade —, o programa já atendeu cerca de 100 crianças.
O objetivo central da universidade é a democratização do acesso à arte, compreendendo-a como elemento imprescindível para o desenvolvimento integral do ser humano.
“Compreendemos que uma educação de qualidade precisa, fundamentalmente, incluir a música no conjunto de seus componentes curriculares. O curso de Formação de Educadoras e Educadores Musicais da Uepa tem por objetivo capacitar profissionais para o ensino da música em espaços formais, informais e não formais, garantindo a formação integral nos diversos territórios educativos.” — Augusto Souto, professor adjunto da Uepa e coordenador do projeto.
Para os estudantes, a presença do projeto dentro do ambiente escolar quebra barreiras geográficas e financeiras. A aluna Victória Nunes, de 13 anos, exalta a iniciativa: “Esse projeto abre portas. Muitas vezes os alunos não podem fazer aulas de música porque moram longe ou não têm disponibilidade, e o projeto aqui na escola facilita muito a nossa vida. Eu tinha parado de tocar flauta e ler partitura, e o projeto me trouxe de volta para a música”, agradece.
Grupo Flautas Doces da Amazônia une gerações e promove perseverança
Paralelamente, o Instituto Carlos Gomes mantém o Grupo Flautas Doces da Amazônia, projeto de extensão que agrega alunos de todos os níveis de ensino da instituição. Idealizado pelo professor Acácio Cardoso, o grupo nasceu da necessidade de criar um espaço de interação coletiva para os estudantes do instrumento, semelhante ao que ocorre em orquestras, bandas sinfônicas ou corais.
O projeto se divide em duas categorias: componentes fixos (por onde já passaram 65 jovens) e participações especiais em concertos. Ao somar os convidados, o grupo já alcançou a expressiva marca de 190 componentes. Para o idealizador, o investimento em políticas sociais voltadas para a arte traz leveza e, acima de tudo, mudança social.
Os reflexos no aprendizado diário
A estudante Yasmin Lobato, de 13 anos, participa dos ensaios há menos de um mês, mas já percebe os impactos da rotina musical em sua vida estudantil.
- Rotina de estudos: A dedicação exigida pelo instrumento cria o hábito do estudo diário, refletindo positivamente nas notas da escola.
- Inteligência emocional: O aprendizado musical atua diretamente no desenvolvimento de virtudes essenciais para o dia a dia.
- Vínculos sociais: O projeto expande o círculo de convivência dos jovens para além das salas de aula tradicionais.
“A flauta doce exige muita dedicação e isso reflete diretamente no desempenho acadêmico. As aulas têm me ensinado a ser perseverante, paciente e, acima de tudo, a estabelecer vínculos sociais fora do meu convívio diário.” — Yasmin Lobato, estudante e integrante do grupo.
Foto: Divulgação









