segunda-feira, julho 20, 2026
Desde 1876

Opinião – Preservação do capital intelectual brasileiro

Nova série de artigos discutirá Inteligência Artificial, Capital Intelectual e Desenvolvimento Econômico

Por Sebastião Carlos Martins

Os jornais A PROVÍNCIA DO PARÁ e Diário de Minas iniciam, nesta edição, uma série de artigos assinados por mim, dedicada à discussão de temas relacionados à Inteligência Artificial, desenvolvimento econômico, sustentabilidade, engenharia financeira e valorização do capital intelectual brasileiro.

A proposta da série é apresentar estudos, metodologias e reflexões desenvolvidos ao longo de vários anos de pesquisa, abordando desafios que afetam diretamente a competitividade das empresas, a produtividade nacional e a formulação de políticas públicas.

O primeiro tema dessa sequência de publicações trata de uma proposta metodológica inédita denominada Índice de Retorno Empresarial Legado (IREL).

O IREL foi concebido para responder a uma questão que ganha importância à medida que a população envelhece e a transformação digital modifica profundamente o mercado de trabalho:

Como mensurar, de forma objetiva, o valor econômico gerado pela experiência acumulada de profissionais altamente qualificados?

Embora existam indicadores consolidados para avaliação financeira de investimentos — como ROI, EBITDA, Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), EVA e outros —, ainda não existe metodologia amplamente difundida capaz de medir os benefícios econômicos produzidos pela utilização estruturada do conhecimento acumulado por profissionais experientes.

Segundo o autor, essa lacuna tende a tornar-se cada vez mais relevante em razão do envelhecimento da população economicamente ativa, da crescente escassez de profissionais especializados em diversos setores e da necessidade de preservar o capital intelectual construído ao longo de décadas de atuação profissional.

O IREL propõe justamente preencher essa lacuna.

Sua metodologia busca transformar benefícios tradicionalmente classificados como intangíveis em indicadores passíveis de mensuração econômica, considerando aspectos como:

  • aumento da produtividade;
  • redução de custos operacionais;
  • mitigação de riscos;
  • preservação do conhecimento organizacional;
  • aceleração da inovação;
  • melhoria da qualidade das decisões estratégicas;
  • fortalecimento da governança corporativa;
  • transferência estruturada de conhecimento entre gerações.

Outro diferencial da proposta consiste na utilização de Inteligência Artificial para identificar competências, realizar o chamado matching inteligente entre profissionais e demandas empresariais e acompanhar, ao longo do tempo, os resultados efetivamente produzidos por essa interação.

Na visão do autor, essa abordagem permite que a experiência deixe de ser percebida apenas como atributo qualitativo e passe a constituir um ativo econômico mensurável, capaz de influenciar decisões de investimento, planejamento estratégico e desenvolvimento organizacional.

O conceito está diretamente relacionado ao Projeto LEGADO BRASIL, iniciativa voltada à ativação produtiva de profissionais experientes por meio de plataformas digitais inteligentes e modelos cooperativos de atuação.

Entretanto, seu potencial ultrapassa esse projeto específico.

O IREL poderá servir como instrumento de apoio à avaliação econômica de programas de inovação tecnológica, projetos de transformação digital, iniciativas de gestão do conhecimento e políticas públicas voltadas ao aproveitamento do capital intelectual.

Ao longo das próximas edições, esta série abordará, entre outros temas:

  • os fundamentos científicos do IREL;
  • Inteligência Artificial aplicada à gestão do conhecimento;
  • preservação do capital intelectual brasileiro;
  • economia da longevidade;
  • produtividade baseada em experiência profissional;
  • avaliação econômica de ativos intangíveis;
  • modelos internacionais de gestão do conhecimento;
  • aplicações práticas do IREL em empresas, governos e instituições.

Segundo Sebastião Carlos Martins, o objetivo principal dessas publicações é estimular o debate sobre uma nova dimensão da economia do conhecimento.

“Durante décadas, aprendemos a medir máquinas, equipamentos, edifícios e investimentos financeiros. Talvez tenha chegado o momento de desenvolver instrumentos capazes de medir, com o mesmo rigor, o valor econômico da experiência humana.”

Se essa proposta se mostrar consistente sob o ponto de vista acadêmico e prático, o Índice de Retorno Empresarial Legado (IREL) poderá representar uma nova contribuição brasileira para a literatura sobre avaliação de ativos intangíveis, complementando indicadores tradicionais e ampliando a compreensão do papel do capital intelectual no desenvolvimento econômico contemporâneo.

*O autor é Engenheiro Eletricista formado pela UFRGS em 1971, foi professor universitário e atuou em grandes projetos de siderurgia e mineração no Brasil. Possui conhecimentos em Direito Tributário, Contabilidade, Economia e Auditoria. Nos últimos seis anos, se dedica a estudos de viabilidade econômica e financeira para usinas eólicas, fotovoltaicas e unidades de recuperação de energia a partir de RSU, aplicando a Simulação de Monte Carlo. Escreve sempre neste espaço de Economia de A PROVÍNCIA DO PARÁ

WEB-BANNERS-POSTÃO_BANNER-BiLLBOARD-300X100

artigos relacionados

PERMANEÇA CONECTADO

50,319FansLike
3,528FollowersFollow
22,800SubscribersSubscribe
banner 320x320 - verão de ofertas Avistão
BANNER - 320 x 320

Mais recentes