terça-feira, julho 21, 2026
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Do discurso de confronto ao desgaste político, as crises que cercam o prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano

Prefeito enfrenta uma sequência de crises políticas, questionamentos sobre a gestão e agora entra no radar da Câmara Municipal após denúncia com pedido de cassação por supostas irregularidades em licitações

Eleito em 2025 com um discurso de ruptura em relação ao grupo que administrava Parauapebas, Aurélio Goiano assumiu a Prefeitura prometendo aproximar o governo da população. A comunicação direta pelas redes sociais, marca de sua campanha, permaneceu como principal ferramenta política, mas o estilo combativo também passou a gerar atritos com adversários, instituições e setores da administração pública.

Ao longo do primeiro ano de gestão, a prefeitura passou a enfrentar críticas relacionadas à infraestrutura urbana, assistência social e gestão de recursos públicos. O Ministério Público instaurou procedimentos para apurar possíveis falhas na prestação de serviços e na execução de políticas públicas.

Em novembro de 2025, durante compromissos ligados à COP30, em Belém, o prefeito voltou aos holofotes ao cobrar da Vale uma suposta dívida com o município. A mineradora contestou a declaração e afirmou cumprir suas obrigações legais. No mesmo período, Aurélio Goiano também se envolveu em um episódio de agressão contra um radialista, ampliando o desgaste em torno de sua postura diante de críticas.

A pressão política aumentou no fim de 2025 e início de 2026. O deputado federal Éder Mauro apresentou uma queixa-crime contra o prefeito na Justiça Federal, acusando-o de calúnia, difamação e injúria por declarações feitas em redes sociais e podcast. O caso tramita na 3ª Vara Federal Criminal, em Belém.

Outro ponto de questionamento envolve o uso de recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), os royalties da mineração. A aplicação dessas verbas passou a ser analisada pelo Judiciário e pelo Tribunal de Contas dos Municípios, que solicitaram esclarecimentos sobre despesas realizadas pela prefeitura.

Também entraram no radar contratações feitas pela gestão, incluindo um processo emergencial para serviços de impressão, alvo de apuração. Até o momento, não há decisão definitiva contra o prefeito ou integrantes da administração.

O cenário ganhou novo capítulo nesta semana com o anúncio do vereador Zé do Bode (União) de que um pedido de cassação contra Aurélio Goiano pode ser protocolado na Câmara Municipal. Segundo o parlamentar, a denúncia foi elaborada por cidadãos e aponta supostas irregularidades em licitações e possíveis atos de improbidade administrativa. Caso seja apresentada, caberá ao Legislativo analisar a abertura ou não de um processo, seguindo o rito previsto.

A gestão também enfrentou uma greve de profissionais da educação e a exoneração de cerca de 800 servidores, medida que gerou críticas de sindicatos e oposição. A prefeitura alegou necessidade de reorganização administrativa.

Em meio ao ambiente de tensão política, as eleições de 2026 já movimentam Parauapebas. Principal alvo de críticas do prefeito, o deputado federal Keniston Braga aparece como um dos principais nomes políticos do município. Pesquisas divulgadas recentemente apontam o parlamentar em posição de destaque na intenção de voto para a Câmara dos Deputados.

Eleito deputado federal com 126.027 votos no Pará, Keniston consolidou sua base eleitoral em Parauapebas, onde recebeu cerca de 57 mil votos, mantendo forte presença no cenário político local.

A possibilidade de uma disputa na Câmara Municipal acrescenta um novo capítulo ao ambiente político de Parauapebas, marcado desde o início do mandato por embates entre o prefeito, opositores e diferentes setores da sociedade.

Fonte e imagem: Agência Pauta Parlamentar

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