Com o fim das férias escolares de julho, pais e responsáveis voltam a enfrentar um velho desafio: equilibrar o orçamento doméstico diante dos custos da volta às aulas. Em 2026, essa tarefa se tornou ainda mais difícil na Grande Belém, onde a maioria dos itens da chamada cesta de material escolar apresenta aumento de preços acima da inflação, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA).
De acordo com o supervisor técnico do Dieese no Pará, Cleverson Costa, mesmo com a compra de menos itens em comparação ao início do ano letivo, os gastos continuam elevados e impactam diretamente as famílias. “Este é um momento que exige planejamento, já que muitos pais ainda estão se recuperando das despesas das férias e precisam lidar com novos custos”, destaca.
A pesquisa foi realizada entre os dias 27 e 30 de julho de 2026, com análise de cerca de 50 produtos em papelarias, livrarias, magazines e lojas de departamentos da Região Metropolitana de Belém. O estudo comparou os preços atuais com os praticados no mesmo período de 2025 e revelou reajustes expressivos.
Entre os itens com maiores aumentos estão o gizão de cera jumbo (21,39%), o corretivo líquido (14,97%), a borracha branca (14,46%) e a cola branca de 40g (14,06%). Em alguns casos, os reajustes superam em mais que o dobro a inflação acumulada nos últimos 12 meses, estimada em cerca de 4,6%.
Apesar das altas, o levantamento também identificou pequenas reduções em relação aos preços praticados no início de 2026, o que indica uma leve acomodação de mercado, ainda que insuficiente para aliviar o bolso do consumidor.
Cadernos e mochilas pesam ainda mais
Além dos itens básicos, produtos como cadernos e mochilas continuam entre os principais vilões do orçamento. Os cadernos, especialmente os de maior número de folhas ou com temas e personagens, tiveram reajustes superiores a 10% no período de um ano. Um caderno de 10 matérias pode variar de R$ 19,99 a mais de R$ 60, enquanto versões mais sofisticadas, como os chamados “cadernos inteligentes”, chegam a custar entre R$ 120 e R$ 160.
Já as mochilas apresentam uma variação ainda maior, podendo ser encontradas desde R$ 39,90 até mais de R$ 500, dependendo da marca e do modelo. Em alguns casos, o valor se aproxima de metade do salário mínimo.
O fardamento escolar também sofreu reajustes e, mesmo quando a compra é parcial — como apenas uma peça ou calçado —, os preços superam a inflação em pelo menos 5%.
Oferta reduzida e pouca reposição de estoque
Outro fator que influencia os preços neste período é a redução na oferta de produtos. Diferentemente do início do ano, muitos comerciantes não renovam os estoques para o segundo semestre, comercializando apenas o que restou das compras anteriores. Isso limita as opções e pode contribuir para a manutenção de preços elevados.
PESQUISA DE PREÇOS É ESSENCIAL
Diante desse cenário, o Dieese reforça que a principal estratégia para economizar continua sendo a pesquisa de preços. Um mesmo produto pode apresentar variações superiores a 20% entre diferentes estabelecimentos.
Para Cleverson Costa, o consumidor precisa adotar uma postura mais cautelosa. “Pesquisar, comparar e evitar compras por impulso são atitudes fundamentais neste momento. Pequenas diferenças de preço podem representar uma economia significativa no final das contas”, orienta.
Com a volta às aulas já em andamento, o desafio das famílias paraenses segue sendo conciliar educação e orçamento em um cenário de custos elevados e renda ainda pressionada.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem ilustrativa/Reprodução






