O preço do açaí voltou a cair em julho de 2026 nas feiras livres, pontos tradicionais de venda e supermercados de Belém. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE/PA mostra que o recuo ocorreu nos dois principais tipos acompanhados pela entidade — médio e grosso — e está relacionado, principalmente, ao avanço da safra regional e ao aumento da oferta do fruto.
Apesar da queda em relação a junho, quando os preços atingiram os maiores níveis do ano em razão da entressafra, o açaí ainda permanece caro para o consumidor paraense. No caso do tipo grosso, por exemplo, os reajustes acumulados em 2026 e nos últimos 12 meses continuam muito acima da inflação oficial.

O supervisor técnico do DIEESE/PA, Everson Costa, avalia que o comportamento observado em julho sinaliza uma mudança importante no mercado, justamente em razão da recuperação gradual da oferta. Segundo ele, a tendência de redução pode continuar nos próximos meses, desde que não ocorram fatores que prejudiquem a produção ou aumentem os custos de transporte e comercialização.
AÇAÍ MÉDIO CAI QUASE 16%
De acordo com o levantamento, o litro do açaí tipo médio custava, em média, R$ 35,43 em junho. Em julho, o valor caiu para R$ 29,82, uma redução de 15,83% em apenas um mês.
O preço de julho também ficou próximo dos valores registrados no ano passado. Em julho de 2025, o litro custava, em média, R$ 29,11.
Mesmo com a queda recente, o açaí médio ainda acumula alta de 3,47% em 2026 e de 2,44% nos últimos 12 meses.
O comportamento dos preços mostra o forte impacto da entressafra. Em janeiro deste ano, o litro do produto era vendido, em média, por R$ 28,82. Com a redução da oferta ao longo dos meses seguintes, o preço chegou aos R$ 35,43 registrados em junho.
Para Everson Costa, o recuo de julho representa um alívio para o consumidor, mas ainda é preciso acompanhar a evolução da safra e da oferta nas próximas semanas.
Açaí grosso também recua, mas segue bem mais caro
O tipo grosso, tradicionalmente mais valorizado e mais caro, também apresentou redução significativa.
Em junho, o litro chegou a R$ 55,00, enquanto em julho passou para R$ 46,84, queda de 14,84%.
Entretanto, o produto ainda apresenta números elevados quando analisados os acumulados. Desde janeiro, o açaí grosso registra alta de 11,66%, enquanto na comparação com julho de 2025 o aumento chega a 14,02%.
O resultado está muito acima do comportamento da inflação medida pelo INPC/IBGE, que acumulou 3,51% no primeiro semestre de 2026 e 4,64% nos 12 meses.
Everson Costa chama atenção justamente para essa diferença entre a queda registrada no último mês e os aumentos acumulados ao longo do ano. A redução de julho, segundo a avaliação do DIEESE/PA, ainda não foi suficiente para apagar os efeitos da forte valorização ocorrida durante a entressafra.
Diferença de preços é grande entre os pontos de venda
O levantamento também revela uma diferença expressiva nos preços praticados pelos estabelecimentos pesquisados em Belém.
Na última semana de julho, o litro do açaí médio foi encontrado nas feiras livres entre R$ 16,00 e R$ 30,00. Nos supermercados, os preços ficaram entre R$ 25,99 e R$ 30,00.
No caso do açaí grosso, a variação foi ainda maior. Nas feiras livres, o litro custava entre R$ 30,00 e R$ 60,00. Nos supermercados, os valores variaram de R$ 33,99 a R$ 54,00.
A diferença reforça a importância de pesquisar antes da compra, especialmente para famílias que consomem o produto com frequência.
SAFRA E NOVAS REDUÇÕES
Segundo o DIEESE/PA, o principal fator responsável pela queda observada em julho foi o aumento gradual da oferta provocado pelo avanço da safra regional.
A expectativa é que, com maior disponibilidade do fruto, os preços continuem recuando nos próximos meses. Everson Costa, no entanto, destaca que essa tendência depende das condições de produção e comercialização.
Além da oferta, fatores como clima, transporte, custos de produção, logística e demanda nos mercados interno e externo podem interferir diretamente no preço final pago pelo consumidor.
O cenário, portanto, é de maior otimismo para os próximos meses, mas ainda exige cautela. O açaí grosso, principalmente, permanece em patamar elevado em relação ao ano passado.
Para os consumidores paraenses, a continuidade da safra pode significar uma recuperação gradual dos preços e um pouco mais de alívio no orçamento das famílias. Para o mercado, o comportamento dos próximos meses será fundamental para confirmar se a queda registrada em julho representa o início de um período mais prolongado de redução.
Por ROBERTO BARBOSA/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Dieese/PA





