Com foco em empreendedorismo, geração de renda e inclusão social, projeto inicia ciclo de oficinas e formações técnicas para fortalecer a produção de eventos na Amazônia.
Começou nesta segunda-feira (17) o projeto projeto Círio Iluminado 2026 com a formação técnica e inclusão artística na capital paraense.
Patrocinado pela Equatorial Pará, o projeto conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e da Fundação Cultural do Pará, através da Lei Semear.
Um dos destaques da abertura do projeto é o curso de produtor cultural que já conta com mais de 300 pessoas inscritas.
Segundo Olívio Rafael, diretor do Círio Iluminado 2026 e curador do curso, a proposta é fornecer ferramentas dinâmicas para suprir uma demanda crescente no mercado local. “O Círio Iluminado 2026 inicia com o objetivo de ensinar a produção cultural na prática, abordando os temas centrais de um evento de sucesso. A metodologia quer elevar a compreensão dos alunos, preparando profissionais qualificados para atender ao crescimento contínuo do setor no Estado”, destaca Olívio.
Para a produtora cultural Clara Zallut, que ministra o curso ao lado de Olívio, a iniciativa aborda o ciclo completo de realização de grandes eventos, desde o planejamento técnico até contingências climáticas. “Atuo há 18 anos na área e sei o quanto a mão de obra especializada em produção de eventos é escassa. O diferencial deste projeto é abranger as mais de dez vertentes da produção, tratando de logística, operacional de palco, segurança e gestão de riscos em um momento onde a questão climática exige preparação técnica completa”, explica Zallut.
A oportunidade atrai profissionais de diversas linguagens. A artista visual Amanda Lopes, integrante do coletivo Pernas e Palmas e brincante do Arraial do Pavulagem há uma década, ressalta a relevância da teoria aplicada. “A vivência e o conhecimento do dia a dia ajudam muito, mas a formação teórico-prática eleva o nível do trabalho. Na Amazônia temos um campo vasto, e se profissionalizar é o caminho para aproveitar essas oportunidades”, pontua Amanda.
Para quem atua em áreas ligadas à arte, como a designer gráfica Susan Ataíde, a formação amplia horizontes de atuação na cultura regional. “O conhecimento adquirido enriquecerá a geração e gestão do meu próprio trabalho. Vivemos em uma região rica culturalmente, e entender os bastidores da produção permite atuar em frentes diversificadas”, avalia Susan.
O investimento na formação de agentes culturais é visto como um dos pilares do desenvolvimento socioeconômico. Michelle Miranda, analista de responsabilidade social da Equatorial Pará, reforça o compromisso da empresa com a cultura do Pará. “Investir em cultura é investir em pessoas. Formar novos produtores significa capacitar cidadãos para transformar ideias e talentos em projetos sustentáveis que gerem emprego, renda e impacto social. Queremos fortalecer a cadeia cultural paraense e ajudar a tirar grandes iniciativas do papel”, afirma Michelle.
Arte, inclusão e autoestima
Entre os objetivos do projeto do Círio Iluminado 2026 estão a inclusão e a geração de oportunidades para a geração de renda, este é o foco da oficina de artesanato iniciada no centro comunitário do bairro do Guamá.
Na Apae-Belém começou o curso de pintura inclusiva. O trabalho aqui é destinado principalmente para pessoas com deficiência intelectual e múltipla, as atividades utilizam a arte como linguagem de expressão e devoção.
Para o participante Lucas Sacramento, frequentador da Apae, o momento une aprendizado e fé. “Para mim representa muita devoção a Nossa Senhora de Nazaré. É uma oportunidade muito legal, gosto muito de desenhar e participar dessa programação “, relata.
A professora de artes Silvana Saldanha, que acompanha as oficinas pelo terceiro ano consecutivo, destaca os reflexos positivos no bem-estar dos alunos e a importância de espaços inclusivos na cidade. “Trata-se de uma oportunidade rara para eles se expressarem artisticamente em eventos abertos pela cidade. Quando veem as obras concluídas e expostas, o sentimento é de imensa satisfação. O processo restaura a autoestima, traz orgulho e promove o pertencimento pleno de cada um deles”, conclui a professora





