domingo, agosto 23, 2026
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Assédio eleitoral no trabalho preocupa o Pará às vésperas das eleições de 2026

Denúncias, ameaças e condenações milionárias mostram que a pressão política sobre trabalhadores está longe de ser apenas uma preocupação eleitoral

A aproximação das eleições de 2026 traz de volta a preocupação com o assédio eleitoral no trabalho. É quando patrões ou chefes tentam interferir na escolha política dos empregados por meio de ameaças, constrangimentos, promessas de vantagens ou pressão pelo voto em determinado candidato.

Nas eleições de 2022, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 49 denúncias no Pará. Em 2024, até 25 de outubro, foram outras 25, em municípios como Belém, Ananindeua, Santarém, Itaituba, Óbidos e Tucuruí. O problema, portanto, não está restrito à capital.

Um dos casos mais graves ocorreu em Bonito, no nordeste paraense. A Mejer Agroflorestal, que empregava cerca de 1,8 mil pessoas num município com pouco mais de 16 mil habitantes, foi acusada de práticas de assédio eleitoral durante o segundo turno de 2022, inclusive por meio de um grupo de WhatsApp de aprendizes.

Em 2025, a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu a ocorrência e restabeleceu a condenação da empresa, incluindo R$ 4 milhões por danos morais coletivos, além da obrigação de informar os trabalhadores sobre o direito ao voto livre.

Outro episódio ocorreu em Peixe-Boi. Segundo o MPT, empresas do setor agroindustrial divulgaram comunicado associando a escolha de determinado candidato a possíveis consequências para investimentos e empregos. A Justiça do Trabalho determinou que a empresa não coagisse ou intimidasse empregados por razões eleitorais.

A preocupação chega a 2026. Até 6 de agosto, o MPT já havia recebido 135 denúncias de assédio eleitoral em todo o país relacionadas às eleições deste ano. A campanha “No meu voto mando eu”, lançada pelo MPT, TST e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforça que ameaça de demissão, promessa de promoção, reuniões para pedir votos ou mensagens em grupos corporativos podem configurar pressão indevida.

A regra é simples: patrão manda no trabalho. No voto, quem manda é o eleitor. No Pará, os casos já ensinaram que misturar contracheque com urna pode custar caro. Inclusive, milhões de reais.

Por Paulo Silber/Especial para o portal do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Divulgação

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