Projeção da Fiocruz aponta cerca de 866 mil casos prováveis no Brasil, número próximo ao dos últimos anos. Modelos que consideram o clima sugerem risco maior no Sul, mas ainda divergem sobre impacto do fenômeno.
Por Roberto Peixoto, g1
O super El Niño previsto para o verão pode aumentar o risco de dengue em algumas regiões do Brasil em 2027, mas ainda há muita incerteza sobre o tamanho desse efeito, segundo novas projeções apresentadas nesta última sexta-feira (6) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A estimativa principal aponta para cerca de 866 mil casos prováveis de dengue no país na próxima temporada, em um cenário considerado semelhante ao de 2025 e 2026.
Esse número, porém, não leva em conta diretamente os possíveis efeitos do El Niño.
Os pesquisadores testaram separadamente modelos que incluem variáveis climáticas. E os resultados não chegaram a uma mesma conclusão: alguns projetam mais casos em determinadas regiões, enquanto outros indicam um impacto menor.
No Sul, os modelos que consideram o El Niño apontam de forma mais consistente para uma temporada de dengue maior do que a indicada pela projeção principal. Nas demais regiões, o quadro é mais incerto.
🌡️ ENTENDA: o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do Brasil.
Calor e umidade podem favorecer a reprodução do Aedes aegypti, mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya, mas o efeito sobre os casos depende também das condições locais, da população suscetível e das ações de controle.
Por isso, os pesquisadores afirmam que o fenômeno deve funcionar como um sinal de alerta para o planejamento, e não como base para calcular sozinho quantos casos haverá no país.
A projeção reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países. Em vez de escolher apenas um deles, os cientistas combinam os resultados para chegar a uma estimativa considerada mais robusta.
Para 2027, essa combinação aponta para cerca de 860 mil casos, mas com uma faixa bastante ampla: há 80% de probabilidade de o total ficar entre aproximadamente 560 mil e 1,6 milhão.
O pico é esperado para abril, com cerca de 40 mil casos em uma semana.
Apesar de a previsão não indicar uma epidemia como a de 2024, os pesquisadores ressaltam que isso não significa um ano tranquilo.
“A dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, afirmou Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, em um comunicado.
Os modelos também apontam tendência de aumento dos casos em relação à temporada anterior em Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.
Nos outros estados, a projeção é de um cenário próximo ou abaixo do registrado na temporada anterior.
Ainda assim, os pesquisadores recomendam manter a vigilância em todo o país justamente porque o El Niño pode alterar as condições climáticas ao longo dos próximos meses.
A equipe também fez, pela primeira vez, uma projeção nacional para a chikungunya, doença transmitida pelo mesmo mosquito.
A estimativa aponta para mais de 90 mil casos prováveis em 2027, com tendência de aumento principalmente no Nordeste, no Sul, em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Foto: CDC








