O corpo de Mestre Damasceno, ícone da cultura popular amazônica, foi sepultado nesta quinta-feira (28), em Salvaterra, no Marajó, após uma despedida que uniu emoção, tradição e identidade cultural. O cortejo até o cemitério foi marcado pela forte presença de manifestações típicas da região: búfalos, grupos de bumba meu boi e apresentações de carimbó, refletindo a herança deixada pelo artista e mestre da cultura marajoara.
A despedida reuniu familiares, amigos, discípulos e admiradores de várias partes do Pará, que fizeram questão de prestar a última homenagem a Damasceno. Acompanhado por batuques, cânticos e danças, o cortejo transformou-se em um verdadeiro ritual de celebração da vida e da obra do mestre, que dedicou décadas à preservação e valorização das tradições ribeirinhas e marajoaras.
Damasceno era reconhecido como guardião de saberes e transmitia em suas criações a oralidade, a música, a dança e o cotidiano dos povos do Marajó. Sua atuação ultrapassava a arte: ele formou gerações, resgatou histórias e manteve vivas práticas culturais que corriam o risco de desaparecer.
Durante o velório, realizado em Salvaterra, discursos emocionados reforçaram a importância de sua trajetória. Autoridades culturais e comunitárias destacaram o legado deixado por ele, que ajudou a projetar o Marajó como um polo de resistência e criação cultural.
O cortejo, que começou com momentos de silêncio e comoção, terminou em uma celebração coletiva, como Damasceno sempre viveu e ensinou: pela alegria da cultura, pela força da coletividade e pelo respeito às tradições ancestrais.
Com sua partida, o Pará e o Brasil perdem um mestre, mas sua memória permanecerá viva na música, na dança e na voz de cada comunidade que aprendeu com ele a valorizar suas raízes.
Imagem: Reprodução Tv Liberal