Operação Iara mira estruturas financeiras do tráfico de drogas; Justiça autorizou o bloqueio de R$ 58 milhões dos investigados.
A Polícia Civil do Pará deflagrou, na madrugada desta quarta-feira (21), a Operação “Iara”, uma das maiores ofensivas recentes contra a estrutura financeira do crime organizado na região Norte. O objetivo central é desarticular um consórcio criminoso especializado no tráfico de drogas e lavagem de capitais que utiliza a rota do Rio Solimões como principal corredor logístico para o escoamento de entorpecentes.
Fruto de uma investigação minuciosa iniciada em 2022, a operação baseou-se em inteligência financeira e patrimonial para identificar não apenas os traficantes, mas as mentes por trás do financiamento e sustentação econômica do grupo. A estratégia de “asfixia financeira” é apontada pelas autoridades como o meio mais eficaz para neutralizar o poder de fogo das facções.
Foco no Fluxo Financeiro De acordo com o diretor do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), Gabriel Oliveira Batista, o trabalho concentrou-se no rastro do dinheiro. “Identificamos o caminho dos recursos provenientes do tráfico, o que nos permitiu atingir diretamente a base econômica desse grupo”, destacou. Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 58 milhões em ativos, além do sequestro de imóveis e veículos de luxo.
Ofensiva Interestadual Pela natureza capilarizada do crime, a ação mobilizou mais de 270 policiais em sete estados: Pará, Amazonas, Ceará, Rio de Janeiro, Amapá, São Paulo e Alagoas. A lista de alvos inclui 53 pessoas físicas e jurídicas. No total, estão sendo cumpridos:
- 27 mandados de prisão preventiva;
- 67 mandados de busca e apreensão;
- 18 medidas cautelares diversas da prisão.
O diretor de Polícia Especializada, Evandro Araújo, ressaltou que a construção das provas exigiu uma análise técnica robusta. “Foi uma apuração detalhada que revelou como o grupo utilizava ‘laranjas’ e empresas de fachada para ocultar valores ilícitos”, explicou.
Resultados e Material Apreendido O delegado Waney Alexandre, um dos responsáveis pelo inquérito, reforçou que a identificação dos patrimônios foi fundamental para fundamentar os pedidos judiciais. Durante as buscas de hoje, foram apreendidos celulares, dinheiro em espécie, drogas, documentos, relógios de alto valor e cartões bancários — materiais que servirão para ampliar as investigações.
Para o delegado David Bahury, da Denarc, a coordenação entre as polícias civis de diferentes estados foi a chave para o sucesso da missão. “O cumprimento simultâneo evitou a fuga de suspeitos e a dissipação de valores”, afirmou.
Conclusão Coordenada pelo NIP e pela DPE, com o apoio de diversas unidades policiais, a Operação “Iara” segue em andamento com prisões em flagrante e novas apreensões. O resultado consolida a estratégia do Governo do Pará de enfrentamento permanente ao narcotráfico e ao crime organizado através do combate à lavagem de dinheiro.

Foto: Milena Sabrina (Ascom PC)









