segunda-feira, janeiro 26, 2026
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Belém cria regras para reaproveitamento do caroço de açaí

Nova resolução da Arbel entra em consulta pública para transformar resíduos em matéria-prima e reduzir o impacto ambiental na capita

O consumo de açaí é um pilar da cultura e economia de Belém, mas o descarte do resíduo — o caroço — tornou-se um desafio ambiental e logístico. Para enfrentar o problema, a Prefeitura, via Agência Reguladora de Belém (Arbel), publicou a Resolução Normativa nº 001/2026. O documento está agora disponível para consulta pública, permitindo que a população e batedores de açaí enviem sugestões e críticas para tornar a lei mais efetiva.

O foco principal é evitar que toneladas de caroços sejam despejadas em vias públicas, canais e bueiros, o que agrava os alagamentos na capital.

Do Descarte ao Reaproveitamento

Atualmente, parte desse resíduo já é absorvida por indústrias de cimento para queima em fornos, substituindo lenha e carvão. No entanto, a produção local supera a demanda industrial.

A nova resolução quer impulsionar estudos da UFPA, que apontam caminhos inovadores para o caroço, tais como:

  • Fabricação de blocos de cimento para construção civil;
  • Produção de estofamentos para a indústria automobilística;
  • Geração de biomassa e artesanato sustentável.
  • O que muda com a Resolução Arbel nº 001/2026?
    A norma define responsabilidades claras para todos os elos da cadeia:
    Pequenos Batedores: Terão garantia de coleta pelos sistemas municipais ou ecopontos.
    Grandes Geradores: Devem apresentar obrigatoriamente um Plano de Gerenciamento de Resíduos e contratar transporte próprio.
    Armazenamento: Comerciantes devem manter áreas específicas para o descarte temporário, impedindo que o resíduo se espalhe pela rua.
    Fiscalização: A Arbel atuará com vistorias diretas e indiretas. Em caso de irregularidade, serão aplicadas notificações, multas ou a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs).
    “A ideia central é evitar que o caroço seja descartado de qualquer maneira. Precisamos que comerciantes e população compreendam o impacto desse resíduo”, afirma Valeria Fidelis, diretora executiva da Arbel.

    Benefícios para Belém

    A regulamentação não apenas organiza a cidade, mas promove a economia circular. O controle adequado reduz a poluição de rios e canais, diminui os custos de limpeza urbana e transforma o que era lixo em um insumo valioso para novas indústrias, fortalecendo a cultura de sustentabilidade na “Cidade das Mangueiras”.


    Como participar?

    Os interessados podem acessar a minuta da resolução no site oficial da Arbel. As contribuições da sociedade civil são fundamentais para que a norma reflita a realidade dos trabalhadores do setor.

Crédito: Neldson Neves/ Agência Belém

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