Pressionado a deixar a relatoria do inquérito sobre o Banco Master, o ministro Dias Toffoli estaria atribuindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a origem do movimento da Polícia Federal (PF) que resultou no envio ao STF de um relatório detalhando suas conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Em conversas com interlocutores, Toffoli teria dito estar convencido de que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, teria agido em nome de Lula ao encaminhar diretamente ao presidente da Corte, Edson Fachin, o documento de cerca de 200 páginas que reúne registros de ligações, mensagens e transações que, segundo os investigadores, estariam relacionadas ao ministro.
A desconfiança foi reforçada, na avaliação de Toffoli, por um encontro entre Lula e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, horas antes de ele deixar a relatoria. Na reunião, o presidente teria cobrado rigor nas apurações sobre o banco. Como chefe do Ministério Público Federal, Gonet poderia apresentar eventual pedido de suspeição contra o magistrado.
Entre pessoas próximas, Toffoli sustenta que Andrei Rodrigues, que integrou a equipe de segurança de Lula na campanha de 2022, não tomaria iniciativa dessa dimensão sem autorização presidencial. O ministro também resgata episódios do passado para justificar o que vê como uma relação marcada por desconfiança.
Um dos principais pontos citados é o período da Lava Jato. Em 2019, quando Lula estava preso em Curitiba, Toffoli, então presidente do STF, demorou a decidir sobre o pedido para que o petista comparecesse ao enterro do irmão, autorizando a saída apenas momentos antes do sepultamento e impondo condições que acabaram inviabilizando o deslocamento.
Também pesa, segundo interlocutores do ministro, uma suposta aproximação que Toffoli manteve com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante parte do mandato do líder conservador. Após a eleição de Lula, em 2023, o ministro passou a fazer movimentos de reaproximação, entre eles, decisões judiciais com forte impacto político e críticas contundentes aos métodos da Lava Jato.
No fim de 2025, Toffoli voltou a se reunir com Lula, em almoço na Granja do Torto que contou também com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, o caso Banco Master foi discutido, e o presidente teria dito que a condução da investigação poderia “reescrever” a biografia do magistrado.
Fonte e imagem: Portal Pleno.News







