No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira, 05, o Pará se destaca no cenário amazônico com iniciativas concretas de recuperação ambiental. Na região da Volta Grande do Xingu, o viveiro da Usina Hidrelétrica Belo Monte já alcançou a marca de mais de 2,6 milhões de mudas de árvores nativas produzidas, consolidando-se como um dos principais projetos de reflorestamento da região Norte.
Operado pela Norte Energia, o viveiro atua há 15 anos na produção de espécies típicas da Amazônia, contribuindo diretamente para a recomposição de áreas degradadas e a preservação da biodiversidade. Com capacidade para até 650 mil mudas por ano, o espaço abastece ações em cerca de 26 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), além de apoiar projetos urbanos e comunitários.
Entre as 167 espécies cultivadas, estão árvores ameaçadas de extinção, como ipê, cumaru e pau-cravo — espécie que voltou a ser registrada na região após décadas sem ocorrência documentada. O processo produtivo segue critérios rigorosos, com coleta de sementes a partir de mais de 1.300 árvores matrizes monitoradas mensalmente.
De acordo com o engenheiro florestal Rafael Miléo, a utilização de sementes da própria região é essencial para garantir o sucesso da restauração. “Isso permite manter o equilíbrio ecológico e respeitar as características naturais da floresta”, afirma.
Recuperação que gera vida e oportunidades
O projeto também se destaca pelo impacto social. Profissionais locais participam de todas as etapas, desde a coleta até o plantio. Entre eles está o indígena juruna Geilton Barros, que atua como identificador botânico e leva para o viveiro o conhecimento tradicional da floresta.
Segundo ele, a transformação da paisagem já é visível. “Áreas que antes eram pastagens estão sendo recuperadas. Hoje vemos a volta de espécies de plantas e animais, além da geração de emprego para quem vive aqui”, relata.
A iniciativa demonstra que a recuperação ambiental pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento regional, promovendo renda e valorizando saberes tradicionais.
Meta ambiental e contribuição climática
A Norte Energia tem como meta restaurar 7,6 mil hectares de floresta até 2046. Até agora, mais de 2,6 mil hectares já foram recompostos — área comparável a milhares de campos de futebol e equivalente à extensão de Fernando de Noronha.
Com isso, a nova cobertura vegetal tem potencial para retirar da atmosfera cerca de 205 mil toneladas de CO₂ por ano, contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Ao todo, 2,3 milhões de mudas já foram plantadas, parte delas também destinadas à arborização de municípios da região, fortalecendo a qualidade ambiental urbana.
Educação ambiental como legado
Além da restauração, o viveiro também atua na formação de consciência ambiental. Em ações recentes, estudantes de escolas públicas participaram do plantio de centenas de mudas em Altamira, vivenciando na prática a importância da preservação.
A estudante Graziela Almeida destacou o significado da experiência. “É muito bom poder ajudar o meio ambiente. A gente aprende e ainda faz algo importante para o futuro”, disse.
Pará no protagonismo ambiental
Com a Amazônia no centro das discussões globais sobre clima e sustentabilidade, o Pará reforça seu papel estratégico ao investir em iniciativas de reflorestamento e conservação.
Projetos como o de Belo Monte mostram que é possível avançar na recuperação de áreas impactadas, garantindo a preservação da biodiversidade e fortalecendo o compromisso do estado com um modelo de desenvolvimento mais sustentável.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, o exemplo que vem do Xingu reafirma a importância de ações contínuas para proteger a maior floresta tropical do planeta — um patrimônio essencial para o Brasil e para o mundo.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução









