Petista chega a 55,01% dos votos válidos na capital paraense, supera resultado de 2022, vence Flávio Bolsonaro e reforça a preferência da cidade pelo campo progressista
Belém voltou a escolher Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. No segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (25), o presidente reeleito venceu Flávio Bolsonaro (PL) na capital paraense com 468.891 votos, o equivalente a 55,01% dos votos válidos. O adversário recebeu 383.457 votos, ou 44,99%. A diferença foi de 85.434 votos, uma vantagem expressiva em uma disputa nacional marcada pela polarização política.
O resultado consolida a preferência do eleitorado belenense por Lula e amplia a margem registrada no segundo turno de 2022, quando o petista derrotou Jair Bolsonaro em Belém por 50,28% a 49,72%. Agora, a vantagem chegou a 10,02 pontos percentuais, quase o dobro da diferença de quatro anos atrás. Os números mostram que, apesar do crescimento da direita em diferentes regiões do país, Lula preservou e ampliou sua força eleitoral na capital paraense.
A comparação com o primeiro turno também revela um movimento importante. Em 4 de outubro, Lula havia alcançado 48% dos votos válidos em Belém, enquanto Flávio Bolsonaro registrara 43,74%. Na etapa decisiva, o petista acrescentou 72.321 votos à sua votação, enquanto o candidato do PL ampliou a própria contagem em 22.080 votos. A diferença entre os dois cresceu, portanto, ao longo da campanha.
A participação dos eleitores também merece atenção. Dos 1.048.369 eleitores aptos na capital, 874.374 compareceram às urnas, o equivalente a 83,40% do eleitorado. A abstenção ficou em 16,60%, com 173.995 pessoas ausentes. Foram contabilizados ainda 8.373 votos em branco e 13.653 nulos.
O desempenho de Lula em Belém acompanha a vitória do petista no Pará, onde também terminou à frente de Flávio Bolsonaro. No estado, a votação confirmou a força do presidente na região Norte, embora o quadro regional tenha sido muito mais apertado do que a disputa na capital: no conjunto dos sete estados nortistas, a diferença entre os dois candidatos foi de apenas 1.079 votos.
O recado das urnas
Mais do que confirmar uma preferência eleitoral, Belém oferece um retrato das divisões políticas brasileiras. A cidade escolheu Lula com uma margem superior à de 2022 e mostrou que a disputa pela opinião pública continua aberta, mesmo diante da força da oposição em outras partes do país.
O resultado não elimina a polarização nem representa um cheque em branco para o governo. Impõe, porém, uma responsabilidade clara: transformar votos em respostas concretas para os problemas cotidianos da população, do emprego à renda, da saúde à infraestrutura urbana.
As urnas de Belém, afinal, deixaram uma mensagem que vai além dos números: a vitória se conta em votos, mas a confiança se mede no que vem depois deles.
Por Paulo Silber/Imagens: Reprodução (Cidade 091)








