O Congresso do Peru aprovou ontem, terça-feira, 17, o afastamento do presidente José Jeri, que estava há apenas quatro meses no cargo. A decisão ocorre em meio à repercussão de um escândalo envolvendo encontros não declarados com um empresário chinês, o que ampliou a crise política no país andino.
A destituição foi aprovada por maioria simples no Parlamento, mecanismo considerado mais ágil do que o processo formal de impeachment — que exigiria pelo menos 87 votos dos 130 congressistas. A escolha por esse caminho acelerou a saída do chefe do Executivo e aprofundou o cenário de instabilidade institucional no país.
Antes da sessão decisiva, Jeri e seus aliados defendiam que o caso fosse analisado dentro de um rito formal de impeachment, garantindo amplo direito de defesa. O então presidente, no entanto, já havia sinalizado que aceitaria o resultado da votação.
INSTABILIDADE CRÔNICA
Com a queda de Jeri, o Peru chega ao oitavo presidente em oito anos, consolidando um período de sucessivas trocas no comando do Palácio de Governo. Ele se torna o terceiro mandatário consecutivo removido pelo Legislativo, evidenciando o constante embate entre Executivo e Congresso.
Apesar da turbulência política, o Peru ainda é considerado por analistas internacionais uma das economias mais resilientes da América Latina, sustentado principalmente pela exportação de minérios e por uma política macroeconômica historicamente conservadora.
NOVO COMANDO
O sucessor constitucional assume em meio ao desafio de restaurar a estabilidade política e recuperar a confiança interna e externa. O novo governo terá como principal missão conter tensões institucionais e assegurar previsibilidade econômica, enquanto o país observa mais um capítulo de sua conturbada história recente.
A crise reacende debates sobre a necessidade de reformas políticas no sistema peruano, frequentemente marcado por confrontos entre os Poderes e por mandatos interrompidos antes do prazo constitucional.
Fonte: Agência Ronabar/Imagem: Reprodução







