sexta-feira, julho 31, 2026
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Delcy afirma que não cedeu a soberania da Venezuela aos EUA

Líder venezuela diz estar confiando que a relação possa se desenvolver de “boa-fé”

A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou em entrevista à revista americana Time que não está cedendo a soberania de seu país aos Estados Unidos. A fala ocorre meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro.

– Começo agindo de boa-fé e confiando que estas relações [entre EUA e Venezuela] possam se desenvolver de boa-fé. Minha estratégia atual e futura sempre foi garantir a paz e a tranquilidade no país, assim como o bem-estar social e econômico – afirmou Delcy Rodríguez.

Segundo a Time, que cita autoridades dos governos dos EUA e Venezuela, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, supervisiona o arcabouço que regula as receitas petrolíferas e as finanças públicas da Venezuela, mantendo contato quase diário por telefone e mensagens instantâneas com a presidente interina.

A isso soma-se o fato de que, em junho, Héctor Guerrero Flores, o líder da organização criminosa transnacional Tren de Aragua, morreu durante um ataque do Comando Sul dos EUA coordenado “estreitamente” com a Venezuela.

– O importante é que existem oportunidades para a cooperação conjunta, contra o tráfico de drogas, por exemplo, e contra o crime organizado transnacional. Isso é muito importante para nós – disse Delcy Rodríguez a esse respeito.

Além disso, ressaltou que sua intenção é “garantir que a política interna de outro país não afete a Venezuela”.

– Espero que a Venezuela não se torne um peão da agenda política de nenhum outro país – declarou.

A entrevista foi concedida meses depois de os EUA capturarem Maduro, no último dia 3 de janeiro, e o levarem para Nova Iorque, onde permanece no aguardo do início de um julgamento por narcoterrorismo.

Delcy Rodríguez relatou à revista que passou “por um momento de grande angústia” ao pensar, naquele dia, que “haviam matado o presidente e a primeira-dama (Cilia Flores, que também se encontra presa em Nova Iorque)”.

De acordo com a presidente interina venezuelana, autoridades do Catar ajudaram a agendar um telefonema entre ela e Rubio após a captura de Maduro, no qual o secretário de Estado lhe deu um ultimato, ou ela aceitava as exigências dos EUA ou enfrentaria uma “pressão militar sustentada”, segundo confidenciou um assessor contatado pela Time, o qual disse que “não havia alternativas viáveis”.

Na manhã seguinte, a então vice-presidente se comunicou com o presidente americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países “e quais setores de interesse comum poderiam ser identificados”.

Assim, desde que Delcy Rodríguez assumiu o governo, iniciou-se um processo de aproximação entre os dois países, e a presidente interina recebeu em Caracas funcionários de alto escalão americanos, como o secretário de Energia, Chris Wright, e o do Interior, Doug Burgum.

Paralelamente, empresas americanas como ExxonMobil e ConocoPhillips retornaram ao país, e os voos comerciais entre as duas nações foram retomados.

Do Portal Pleno.News com informações e imagem da Agência EFE

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