sexta-feira, junho 12, 2026
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Diante do colapso, a imaginação: Monólogo inspirado em Ailton Krenak estreia na CAIXA Cultural Belém

Estrelado por Yumo Apurinã, espetáculo desafia discursos apocalípticos e propõe novas formas de nos relacionarmos com a Terra.

Enquanto o debate climático global costuma ser dominado por projeções apocalípticas de colapso e destruição, o ator indígena Yumo Apurinã faz um convite provocativo ao público: e se a nossa maior urgência for a incapacidade de imaginar outros futuros possíveis? Essa provocação conduz o espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo”, livremente inspirado na obra homônima do pensador e imortal Ailton Krenak. A montagem cumpre temporada na CAIXA Cultural Belém entre os dias 17 e 21 de junho.

O palco como espelho da ancestralidade e da colonização

No monólogo idealizado pelo diretor e dramaturgo João Bernardo Caldeira, Yumo interpreta a si mesmo. O roteiro ganhou contornos biográficos profundos quando a trajetória pessoal do ator passou a integrar a dramaturgia, costurando memórias de infância, histórias familiares e episódios de racismo estrutural.

A narrativa acompanha a jornada de um homem do povo Apurinã que, após ser evangelizado na infância, decide trilhar o caminho de volta para reconstruir sua relação com a ancestralidade. A partir dessas vivências e das provocações de Krenak sobre o Antropoceno e a colonização, a peça convida a plateia a questionar hábitos e modos de vida amplamente naturalizados no cotidiano urbano.

Belém como território vivo, não como metáfora

Para o artista, apresentar o espetáculo na capital paraense carrega um simbolismo urgente e diferenciado. Em Belém, os impasses discutidos no palco não são teses acadêmicas ou notícias distantes, mas sim a realidade concreta que pulsa nas ruas e nas florestas do entorno.

As feridas abertas da Amazônia em debate:

  • Disputas e demarcações territoriais;
  • O avanço da mineração e a exploração predatória;
  • Processos históricos de evangelização forçada;
  • O apagamento sistemático dos saberes tradicionais.

O diretor João Bernardo Caldeira corrobora essa visão, destacando que a narrativa dominante sobre o Brasil historicamente silenciou outras formas de existência. “A peça sugere que talvez seja impossível imaginar futuros diferentes sem antes reelaborar as histórias que contamos sobre nós mesmos”, explica o dramaturgo.

Programação paralela: Diálogos com Márcia Kambeba

Além das apresentações cênicas, a temporada em Belém contará com uma extensão pedagógica e literária gratuita. No dia 20 de junho, às 16h, a CAIXA Cultural sediará a atividade “Histórias para adiar o fim”.

O encontro reunirá no mesmo espaço o ator Yumo Apurinã e a renomada escritora, poeta e ativista indígena Márcia Kambeba. O debate, aberto ao público, cruzará as fronteiras da arte, da literatura e da ancestralidade, discutindo a importância da produção de conhecimento protagonizada pelos povos originários como ferramenta de sobrevivência e reexistência do planeta.

Serviço:

Agenda Cultural: “Ideias para adiar o fim do mundo”

📅 Temporada do Espetáculo

  • Dias: 17, 18, 20 e 21 de junho de 2026
  • Horário regular: 19h
  • Sessão Extra: Domingo, 21 de junho, às 16h
  • Ingressos: Disponíveis para venda de forma online.

Programação Paralela: “Histórias para adiar o fim”

Encontro imperdível entre o ator Yumo Apurinã e a escritora, poeta e ativista indígena Márcia Kambeba.

  • Data: 20 de junho de 2026 (Sábado)
  • Horário: 16h
  • Entrada: Gratuita

Localização do Evento

CAIXA Cultural Belém Avenida Marechal Hermes, s/n — Armazém 6A Bairro: Reduto (Complexo Porto Futuro II) Belém – PA

foto de andrea Rocha

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