Estrelado por Yumo Apurinã, espetáculo desafia discursos apocalípticos e propõe novas formas de nos relacionarmos com a Terra.
Enquanto o debate climático global costuma ser dominado por projeções apocalípticas de colapso e destruição, o ator indígena Yumo Apurinã faz um convite provocativo ao público: e se a nossa maior urgência for a incapacidade de imaginar outros futuros possíveis? Essa provocação conduz o espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo”, livremente inspirado na obra homônima do pensador e imortal Ailton Krenak. A montagem cumpre temporada na CAIXA Cultural Belém entre os dias 17 e 21 de junho.
O palco como espelho da ancestralidade e da colonização
No monólogo idealizado pelo diretor e dramaturgo João Bernardo Caldeira, Yumo interpreta a si mesmo. O roteiro ganhou contornos biográficos profundos quando a trajetória pessoal do ator passou a integrar a dramaturgia, costurando memórias de infância, histórias familiares e episódios de racismo estrutural.
A narrativa acompanha a jornada de um homem do povo Apurinã que, após ser evangelizado na infância, decide trilhar o caminho de volta para reconstruir sua relação com a ancestralidade. A partir dessas vivências e das provocações de Krenak sobre o Antropoceno e a colonização, a peça convida a plateia a questionar hábitos e modos de vida amplamente naturalizados no cotidiano urbano.
Belém como território vivo, não como metáfora
Para o artista, apresentar o espetáculo na capital paraense carrega um simbolismo urgente e diferenciado. Em Belém, os impasses discutidos no palco não são teses acadêmicas ou notícias distantes, mas sim a realidade concreta que pulsa nas ruas e nas florestas do entorno.
As feridas abertas da Amazônia em debate:
- Disputas e demarcações territoriais;
- O avanço da mineração e a exploração predatória;
- Processos históricos de evangelização forçada;
- O apagamento sistemático dos saberes tradicionais.
O diretor João Bernardo Caldeira corrobora essa visão, destacando que a narrativa dominante sobre o Brasil historicamente silenciou outras formas de existência. “A peça sugere que talvez seja impossível imaginar futuros diferentes sem antes reelaborar as histórias que contamos sobre nós mesmos”, explica o dramaturgo.
Programação paralela: Diálogos com Márcia Kambeba
Além das apresentações cênicas, a temporada em Belém contará com uma extensão pedagógica e literária gratuita. No dia 20 de junho, às 16h, a CAIXA Cultural sediará a atividade “Histórias para adiar o fim”.
O encontro reunirá no mesmo espaço o ator Yumo Apurinã e a renomada escritora, poeta e ativista indígena Márcia Kambeba. O debate, aberto ao público, cruzará as fronteiras da arte, da literatura e da ancestralidade, discutindo a importância da produção de conhecimento protagonizada pelos povos originários como ferramenta de sobrevivência e reexistência do planeta.
Serviço:
Agenda Cultural: “Ideias para adiar o fim do mundo”
📅 Temporada do Espetáculo
- Dias: 17, 18, 20 e 21 de junho de 2026
- Horário regular: 19h
- Sessão Extra: Domingo, 21 de junho, às 16h
- Ingressos: Disponíveis para venda de forma online.
Programação Paralela: “Histórias para adiar o fim”
Encontro imperdível entre o ator Yumo Apurinã e a escritora, poeta e ativista indígena Márcia Kambeba.
- Data: 20 de junho de 2026 (Sábado)
- Horário: 16h
- Entrada: Gratuita
Localização do Evento
CAIXA Cultural Belém Avenida Marechal Hermes, s/n — Armazém 6A Bairro: Reduto (Complexo Porto Futuro II) Belém – PA
foto de andrea Rocha









