domingo, fevereiro 8, 2026
Desde 1876

‘Economistas de hoje diriam que o Brasil quebraria se a escravidão acabasse’

fim da escala 6X1, regime em que o funcionário trabalha seis dias da semana e tem apenas um dia de descanso, pode ser votado ainda este ano no Congresso.

No ínicio desta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a pauta será uma das prioridades deste ano.

A sinalização foi celebrada por muitos parlamentares, mas para um, em especial, que não exerce o mandato em Brasília, mas na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, essa notícia tem um significado ainda maior.

Trata-se de Rick Azevedo (PSOL), ex-balconista de farmácia, que viralizou no TikTok desabafando sobre sua rotina de trabalho de escala 6X1.

Em 2024, foi eleito o vereador mais votado do PSOL no Rio de Janeiro.

Azevedo é um dos principais rostos da mobilização contra esse modelo de trabalho. Ele criou uma petição que já reúne quase 3 milhões de assinaturas e ajudou a fundar, ao lado de outros trabalhadores, o movimento Vida Além do Trabalho (VAT).

Em entrevista à BBC News Brasil, o vereador afirmou estar confiante na aprovação da proposta ainda no primeiro semestre, apesar de pesquisas indicarem que os parlamentares estão divididos sobre o tema.

Pesquisas Genial/Quaest publicadas em dezembro mostraram que, embora 72% da população seja a favor do fim da escala 6×1, entre os deputados, apenas 42% são favoráveis e 45% são contra — os outros 13% não opinaram ou não responderam.

A bancada contrária já foi maior, era de 70% em julho de 2025, segundo o mesmo instituto.

Ainda assim, Azevedo se diz confiante na aprovação da pauta. “Eles são lobistas, são escravocratas, mas precisam do voto do povo”, afirma.

O vereador também criticou economistas e empresários que têm se posicionado contrários ao fim da escala 6×1, argumentando que será um “tiro no pé” da economia.

“Se eu estivesse falando para você aqui agora, ‘vamos acabar com a escravidão no país’, os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura para acabar com a escravidão, que o país ía quebrar”, diz Azevedo.

“O 13º [salário], a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa. Licença maternidade também. Direitos para empregadas domésticas? ‘Não podemos. O país vai quebrar'”, afirma.

“Eles querem causar esse pânico econômico para continuar sugando o trabalhador seis dias na semana, para apenas um dia de folga, e receber um salário que muitas vezes não dá nem para comer.”

Confira um trecho da entrevista no vídeo.

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