A iniciativa da Afya visa ampliar o acesso ao atendimento mais inclusivo
Garantir que pessoas surdas tenham acesso a um atendimento médico acolhedor, preciso e sem barreiras ainda é um desafio no Brasil. Em Bragança, no nordeste do Pará, a Afya Faculdade de Ciências Médicas vem fortalecendo esse compromisso ao oferecer formação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para alunos e também para o corpo administrativo da instituição. A iniciativa busca ampliar a inclusão e assegurar que a comunicação não seja um obstáculo na busca por cuidado, orientação ou diagnóstico adequados para a comunidade de forma geral.
A professora Niomara de Jesus da Silva Sales, mestre em Linguagens e Saberes da Amazônia e responsável pela disciplina de Libras, explica que dominar a língua de sinais é fundamental na área da saúde. “Quando o profissional consegue se comunicar diretamente com o paciente surdo, ele coleta informações mais precisas, reduz a ansiedade do atendimento e cria um ambiente de confiança. Isso faz toda a diferença no diagnóstico e no tratamento”, afirma.
Essa transformação também é percebida por quem atua nos bastidores da vida acadêmica e hospitalar, principalmente os profissionais que recebem, orientam e acolhem estudantes, visitantes e pacientes diariamente. É o caso de Adria Davis Procópio, coordenadora de laboratórios e professora auxiliar da instituição, que participou do curso de Libras voltado ao corpo administrativo.
Para ela, a experiência foi mais do que aprendizado técnico: foi um convite à empatia. “Trabalhar em um ambiente educacional e de saúde exige acolhimento e respeito à diversidade. No dia a dia, lidamos com pessoas diferentes, acadêmicos, pacientes, familiares, e a comunicação é o que garante um atendimento realmente humano e eficiente. Participar do curso de Libras foi transformador. Percebi como a comunidade surda enfrenta desafios complexos para se comunicar e o quanto nós, como profissionais, precisamos estar preparados. Aprender Libras me fez entender que essa capacitação não deve acontecer uma vez só, mas continuamente. Hoje me sinto mais preparada para orientar e receber essas pessoas. Ainda tenho muito a praticar, claro, mas estou muito mais segura do que antes. Recomendo essa formação a todos os profissionais da instituição, porque fortalece nosso compromisso com a inclusão e com os valores que defendemos”, destaca.
Além de ministrar a eletiva de Libras e Língua Portuguesa, Niomara coordena iniciativas como o Núcleo de Experiência Discente (NED), o PIEPE (Práticas Interdisciplinares de Extensão, Pesquisa e Ensino), e a monitoria acadêmica, reforçando a integração entre ensino, comunidade e práticas inclusivas. Segundo ela, a formação em Libras vai além da sala de aula: prepara futuros médicos e equipes administrativas para atuarem com equidade e sensibilidade em qualquer contexto de atendimento.
A legislação brasileira reconhece Libras como meio legal de comunicação desde 2002, mas sua presença nos cursos da área da saúde ainda é limitada. A falta de preparo pode gerar erros de interpretação, dificultar a expressão de sintomas e comprometer o cuidado. Para a Afya Bragança, oferecer essa formação deixou de ser um diferencial, virou prioridade.
“Mesmo quando o profissional não domina totalmente Libras, é importante desenvolver sensibilidade para aspectos não verbais, como expressões faciais e corporais. O cuidado humanizado também passa por isso”, reforça Niomara.
Ao capacitar estudantes, docentes e profissionais administrativos, a instituição contribui para reduzir desigualdades, ampliar o acesso à informação e promover a autonomia dos pacientes surdos. O resultado é um atendimento mais humano, seguro e alinhado às necessidades reais dessa população.
Com a expansão do curso de Medicina e o fortalecimento das ações de extensão, a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Bragança pretende ampliar ainda mais as iniciativas voltadas à inclusão. Em uma região em que os desafios de acesso já são grandes, ações como essa representam um avanço essencial para garantir que a saúde seja, de fato, para todos.
Fonte e imagem: Temple Comunicação








