Levantamento do Instituto Gerp aponta o senador com 55% dos votos válidos contra 45% do presidente; pesquisas divulgadas no mesmo período mostram cenário mais equilibrado na corrida pelo Planalto
A disputa pelo Palácio do Planalto ganhou novos ingredientes nesta semana. Pesquisa do Instituto Gerp, divulgada ontem, terça-feira, 13, aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 55% dos votos válidos no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de dez pontos percentuais coloca o candidato do PL em posição favorável nesse levantamento, mas não significa que a eleição esteja decidida.
O resultado foi divulgado pela revista Exame e chama a atenção por ter sido produzido por um instituto que se aproximou do desempenho dos candidatos no primeiro turno. Naquela etapa, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, segundo os números citados na publicação.
A pesquisa Gerp ouviu 2.400 eleitores nos dias 8, 9 e 12 de outubro, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07877/2026.
Pesquisa não mostra consenso entre os institutos
Apesar da vantagem registrada pelo Gerp, outros levantamentos divulgados em 13 de outubro apresentam uma diferença menor entre os dois candidatos.
Na pesquisa Datafolha, Flávio aparece com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Brancos e nulos somam 5%, e 1% dos entrevistados não soube responder. Considerando apenas os votos válidos, o senador tem 52%, enquanto o presidente registra 48%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a diferença está no limite do empate técnico.
Já a pesquisa PoderData/AYA indica Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, resultado que também configura empate técnico, diante da margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Os números mostram que a fotografia eleitoral varia conforme a metodologia e o instituto responsável pelo levantamento. Por isso, a vantagem de dez pontos apontada pelo Gerp precisa ser analisada em conjunto com as demais pesquisas, sem transformar um resultado isolado em previsão definitiva das urnas.
Rejeição e avaliação do governo entram na conta
O levantamento do Gerp também apresenta indicadores que ajudam a compreender o ambiente eleitoral. Segundo os dados divulgados pela Exame, 53% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto a rejeição declarada a Flávio Bolsonaro é de 42%.
Na avaliação da administração federal, 49% desaprovam o trabalho do governo Lula, enquanto 45% o aprovam.
Outro dado relevante é o grau de definição do voto: 94% dos entrevistados que declararam uma preferência disseram estar decididos, enquanto 5% admitiram que ainda poderiam mudar de escolha.
Esses indicadores não eliminam a possibilidade de mudanças no comportamento eleitoral. A campanha, os debates, os apoios políticos, as propostas apresentadas e os acontecimentos dos próximos dias ainda podem influenciar a decisão de parte do eleitorado.
Apoios políticos ampliam a disputa para além das pesquisas
A corrida presidencial também está sendo definida pela capacidade dos candidatos de reunir forças políticas e conquistar eleitores que escolheram outros nomes no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro tem ampliado sua rede de apoio entre lideranças de direita e centro-direita. Entre os governadores eleitos que declararam apoio ao senador estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Cleitinho Azevedo (Republicanos), de Minas Gerais, e Dr. Daniel (Podemos), eleito governador do Pará.
Lula, por sua vez, conta com o apoio de governadores eleitos como Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, Elmano de Freitas (PT), do Ceará, e Rafael Fonteles (PT), do Piauí.
O posicionamento das lideranças estaduais pode ajudar na mobilização de eleitores, na organização de palanques e na articulação regional das campanhas. Entretanto, o apoio de um governador ou de uma liderança partidária não garante, automaticamente, a transferência dos votos para o candidato presidencial indicado.
PARÁ TAMBÉM ENTRA NO TABULEIRO ELEITORAL
No Pará, o apoio de Dr. Daniel a Flávio Bolsonaro acrescenta um componente regional à disputa nacional. A posição do governador eleito pode fortalecer a presença do senador no estado, mas o alcance eleitoral dessa aliança dependerá da capacidade de mobilização das lideranças locais e da receptividade dos eleitores.
O cenário paraense também merece atenção diante das articulações partidárias que envolvem o MDB e o grupo político do governador Helder Barbalho, que declarou apoio a Lula. O contraste entre esses posicionamentos evidencia que as alianças estaduais não necessariamente reproduzem uma única orientação política e podem produzir disputas dentro dos próprios grupos partidários.
A divisão de forças no Pará reforça a importância do estado na estratégia das campanhas, especialmente na busca por votos fora dos principais centros eleitorais do Sudeste.
SEGUNDO TURNO CONTINUA ABERTO
A vantagem de Flávio Bolsonaro no levantamento do Gerp representa um sinal favorável para a campanha do senador, mas as pesquisas Datafolha e PoderData/AYA apontam uma disputa muito mais apertada. A diferença entre os resultados demonstra que ainda existe incerteza sobre o desfecho da eleição.
Com a votação marcada para 25 de outubro, os dois candidatos terão de concentrar esforços na consolidação de suas bases, na conquista dos eleitores indecisos e na atração de quem votou em outros concorrentes no primeiro turno.
Para Flávio, o desafio será transformar os índices favoráveis em votos efetivos e ampliar sua presença entre os segmentos nos quais enfrenta resistência. Para Lula, a tarefa será reduzir a distância nos levantamentos mais desfavoráveis, defender a avaliação de seu governo e recuperar espaço entre os eleitores que ainda podem rever sua escolha.
A disputa pelo Planalto, portanto, permanece em aberto. Mais do que a liderança em uma pesquisa específica, será a combinação entre intenção de voto, rejeição, alianças políticas e mobilização eleitoral que ajudará a definir o resultado nas urnas.
Fonte e imagem: Agência Ronabar





