*Por Roberto Pimentel
Cicinha é uma gata que já está conosco quase 10 anos, sendo minha “neta”, pois seu “pai” é o meu filho caçula, o Israel, atualmente com 18 anos e que assumiu essa espontânea “paternidade” infantil logo que fez 8 anos, tanto que ele que aniversaria no dia 23 de outubro, uma semana depois de mim, dia 16, estabeleceu que ela passaria a aniversariar uma semana depois dele, 30.
Ele, desde o início de sua infância, se atraiu por animais, principalmente cães e gatos, decorrente da herança genética, pois, meus avós e meus pais, sempre tiveram animais em seu lar. E eu também gosto desses animais desde minha infância, lá em Maracanã, município paraense, onde nasci e morei com meus pais até os 11 anos, quando mudamos para a capital.
Lembro de vários cães, mas o primeiro de minhas doces lembranças é o Sultão, que era da família da professora Helimena, amiga e colega de mamãe, também professora estadual, e que quando se mudou para Belém, deixou o bichinho sob nossa guarda.
Anos depois, com a partida de Sultão, veio o Douglas, tirado de uma ninhada. E aqui em Belém, o Ringo, e os gatos Seu G, Vamp e outros, com meus pais.
Meus filhos mais velhos também se ligaram com tal tipo de animais. Primeiro o gato Chalalá, que minha filha Robina quando lhe fazia carinho usava a expressão “celusso, celusso” (querendo dizer cheiroso), passando eu a chamá-lo de “Seu Lúcio”). E com sua partida veio a cadela Millie, que gerou vários, em cruzamento com o Tyson, que meu filho Hermom recebeu de um colega, entre os quais o Mopi (meu pai) porque se parecia muito com o Tyson.
Mas, vamos falar novamente na Cicinha, cujo nome é uma variante de oncinha, por se parecer com uma onça. Antes dela vieram uma gata preta que foi chamada Panthy (pantera) e depois a Tiggy (tigresa). Mas, ambas sumiram.
Certo dia quando transitávamos por um bairro de periferia, eu e meus filhos Jordão e Israel, encontramos abandonada na rua uma gatinha que foi adotada e chamada Cicinha e que está conosco até então, já fazendo quase dez anos.
Cicinha, como quase todos os gatos, gostam de carinhos, seja nas chegadas ou quando estão ocupando os sofás, cadeiras, camas, afagos com as mãos pela cabeça. Mas, um dos tipos de afagos que ela gosta muito, sou eu quem faço. Pela minha idade avançada, para não ter que me abaixar, passei a fazer carinhos em Cicinha com ela no chão e sem me abaixar, fazendo cafuné (afago ou carícia com a ponta dos dedos no couro cabeludo de alguém) com o dorso e dedos de meus pés, em seu pescoço, orelhas, cabeça e ela fica completamente submissa. E quando eu paro ela mia, querendo mais. E eu continuo por mais uns dois a três minutos.
Então esse cafuné (afago ou carícia) com o pé eu denominei de cafunepé.
Pesquisei em nossos dicionários e dialetos se havia a palavra cafunepé, mas não a encontrei. Busquei no Google e não encontrei essa palavra que pode até já ter sido lançada, publicada, mencionada, mas eu não a encontrei.
Então, fica aqui registrado que cafunepé é o carinho que faço com o dorso dos meus pés em Cicinha e que a deixa quase paralisada no chão à mercê desse tipo de carinho que surgiu ao acaso.
*Autor é advogado, delegado aposentado da Polícia Civil do Pará, especializado em Meio Ambiente e criador da Sala Verde da atual DEMAPA, ex-militar da Aeronáutica, radialista, poeta, escritor e escreve toda quinta-feira neste espaço de A PROVÍNCIA DO PARÁ






