Por Arnaldo Silva da Rosa
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Canto para o Sol,
essa antiga fogueira
que acende o rosto do dia.
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Canto para a Lua,
que atravessa a noite
como uma pergunta sem resposta.
Já
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Canto para o sideral,
para o silêncio onde as estrelas
escrevem, sem palavras,
a história do infinito.
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Meu cantar não conhece fronteiras:
é universal como o vento,
antigo como a primeira sombra
e novo como o último olhar.
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Canto para o homem,
que procura Deus
nas ruínas de si mesmo.
Canto para a mulher,
mistério onde a vida
aprendeu a nascer.
Canto para os racionais
e para os que chamamos irracionais,
porque talvez a razão
seja apenas uma maneira
de esconder o nosso espanto.
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Canto para os vegetais,
que bebem a luz
e permanecem em silêncio,
como sábios que compreenderam
o segredo da terra.
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Canto para as coisas:
a pedra, a janela, a cadeira,
o livro esquecido sobre a mesa,
porque tudo aquilo que existe
carrega alguma memória do universo.
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Meu canto é perene.
Nasce com a manhã,
atravessa a tarde,
envelhece com o crepúsculo
e, quando a noite chega,
não morre.
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Transforma-se.
É canto para a rosa,
para a flor que abre
sem perguntar por que floresce.
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É canto para o espinho,
porque também a dor
faz parte da beleza.
É um cantar para as gentes,
para os que chegam,
para os que partem,
para os que amam
e para os que ainda procuram
um lugar onde o amor possa morar.
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E quando minha voz se calar,
quando o último verso
cair lentamente sobre a terra,
talvez o silêncio
não seja o fim.
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Talvez, naquele instante,
o Sol se incline sobre a noite,
a Lua desapareça entre as estrelas,
e uma única rosa,
aberta no meio da escuridão,
comece a cantar.
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E então compreenderemos:
não era o poeta
quem cantava para o universo.
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Era o universo
que cantava através dele.
Meu cantar
é um canto de AMOR.
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*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro efetivo da Academia de Letras de Belém-PA, titular da cadeira 20.





