Briga de homem e mulher, ninguém mete a colher, diziam antigamente quando o chamado sexo frágil sofria nas mãos do sexo forte. Violência, maus tratos, castigos, controle emocional e psicológico. Não era fácil, como não é até hoje, a mulher brasileira estudar, formar-se, ser mãe, esposa e trabalhadora explorada dentro e fora de casa.
Ontem, sexta-feira, a Lei Maria da Penha(11.340-2006), de proteção à mulher, completou 20 anos entre avanços, conquistas, embates e muitas lágrimas pelo assassinato de mais de 15 mil mulheres nessas duas décadas. Já estamos no quinto lugar entre os países com maior número de feminicídios. Como pode isso acontecer é a pergunta que não quer calar.
A principal figura desse movimento, a própria Maria da Penha Fernandes, que ficou paraplégica devido à tentativa de homicídio de seu ex-marido, Marco Viveros, que cumpriu pena e novamente tornou-se réu por participar de campanhas de desinformação e ataques à ex-esposa. É um ódio que não cessa e aí está o cerne da questão, dizem os estudiosos.
Segundo a própria Maria da Penha, não basta apenas o fortalecimento de medidas protetivas, penas mais altas para agressores e feminicidas, assim como a criação de juizados especiais, delegacias de mulheres, e um maior aparato para atender mulheres em situação de risco. Essas medidas são salutares, mas se mostram inócuas frente ao novo papel da mulher em meio a uma sociedade machista e dominadora, que há séculos a subjuga e maltrata como se lhe pertencesse.
Vários estudiosos defendem que essa cultura machista só será superada trabalhando o vínculo em família e em sala de aula, na escola, com disciplinas que tratem do tema de maneira a pregar a igualdade, valorizando a figura da mulher, da mãe, da esposa e da profissional.
Que os homens cresçam respeitando as mulheres e seu lugar na sociedade, convivam em harmonia, sem violência seja de qual for a forma, e busquem no elo da família, a paz necessária diante de tantas atrocidades.
E não custa lembrar; lugar de mulher é onde ela quer estar.
Por Pedro Medina/Imagem: Agência Belém






