Primeira turma de Auxiliar de Cozinha do Tekoá capacita jovens em vulnerabilidade e une transição de carreira à valorização dos sabores da Amazônia.
A bioeconomia vem se consolidando no Pará não apenas como uma estratégia de desenvolvimento sustentável de olho na floresta em pé, mas também como uma poderosa ferramenta de transformação social. Um exemplo prático desse potencial começou a ganhar vida nesta quinta-feira (18), com o início das aulas da primeira turma do curso profissionalizante de Auxiliar de Cozinha do Tekoá – Centro de Gastronomia Social.
Com duração de três meses e 180 horas de aulas teóricas, práticas e estágio supervisionado, a formação é totalmente gratuita e oferece bolsas integrais. O objetivo é claro: ampliar as oportunidades de qualificação profissional para jovens em situação de vulnerabilidade social, enquanto se fortalece o orgulho e a valorização dos ingredientes e saberes nativos da Amazônia.
A primeira escola de gastronomia amazônica do país
Inaugurado em março deste ano, o Tekoá é pioneiro no Brasil e integra as ações estratégicas do Vale Bioamazônico. A iniciativa funciona no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, um complexo estruturado pelo Governo do Pará — por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) — em parceria com o Instituto Paulo Martins e com o apoio financeiro do banco alemão KfW e do Fundo Amazônia Sustentável.
Para a secretária adjunta de Gestão de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, o projeto conecta a riqueza da floresta diretamente com o bolso de quem mais precisa:
“A bioeconomia só cumpre plenamente seu papel quando gera oportunidades concretas para as pessoas. O curso representa exatamente essa visão: transformar a riqueza da nossa sociobiodiversidade em desenvolvimento e renda”, destaca a secretária.
Novos horizontes no horizonte de quem deseja mudar
Entre os alunos selecionados para a turma histórica está Paulo Brito. Ex-porteiro, ele enxerga na cozinha uma oportunidade real de mudar de vida e, quem sabe, abrir o próprio negócio no futuro.
“Eu trabalhava como porteiro e decidi fazer uma transição de carreira buscando uma melhora de condição de vida. O que mais me chama atenção é trabalhar com produtos da Amazônia, produtos nossos, daqui do Pará. Isso é uma forma de valorizar o nosso Estado”, conta o estudante, impressionado com a estrutura moderna de aprendizado.
Educação para projetar a culinária local para o mundo
A diretora do Instituto Paulo Martins e do projeto Tekoá, Joanna Martins, destaca que ver a primeira turma em sala de aula é a realização de um legado familiar e regional que já dura três gerações. Para ela, a união com o poder público é o que dá escala a esse sonho.
“Se queremos que a nossa cozinha seja reconhecida e alcance outros lugares, a educação precisa existir. O conhecimento técnico ajuda a utilizar melhor os ingredientes amazônicos, reduz desperdícios e valoriza ainda mais aquilo que produzimos”, defende Joanna.
Por dentro da estrutura do Armazém 6
As aulas do curso acontecem no Armazém 6 do complexo, um espaço robusto voltado para o desenvolvimento de soluções sustentáveis que abriga:
- Laboratório-Fábrica: Uma planta-piloto focada na pesquisa, experimentação e produção de alimentos, cosméticos e químicos finos com base em insumos florestais.
- Gestão de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D): Setor responsável por ligar o conhecimento científico gerado nas universidades com o setor produtivo e o mercado.
- Showroom de Inovação: Uma vitrine permanente criada para expor as novas tecnologias verdes e os produtos criados a partir da bioeconomia paraense.

Foto: Jamille Leão / Ascom Semas









