A gestão do diretor-geral em exercício da Agência Nacional de Mineração, José Fernando de Mendonça Gomes Júnior, tem buscado reposicionar o papel do setor mineral na economia brasileira. Durante o “Seminário da ANM – uma agenda para o Brasil”, o dirigente apresentou diretrizes estratégicas que pretendem transformar o potencial mineral do país em desenvolvimento sustentável e geração de valor.
Segundo Gomes Júnior, os minerais e metais são a base da sociedade moderna e colocam o Brasil em posição privilegiada na corrida global por minerais críticos e estratégicos. Apesar de figurar entre os líderes mundiais em potencial geológico, o país ainda enfrenta dificuldades para converter essa riqueza em valor agregado, permanecendo concentrado, em grande parte, na exportação de commodities.

Para enfrentar esse cenário, a ANM desenvolveu um dashboard analítico inovador, estruturado em metodologia multicritério com base em dados públicos e reconhecidos internacionalmente. A ferramenta permite simulações e análises de sensibilidade por tipo de mineral, oferecendo suporte técnico para decisões estratégicas e políticas públicas mais assertivas.
O diagnóstico apresentado pela agência identificou gargalos históricos que limitam o avanço do setor, como entraves no licenciamento ambiental, deficiência logística, baixo investimento em tecnologia, dificuldades de financiamento e lacunas no conhecimento geológico. Esses fatores, segundo a ANM, impedem o adensamento das cadeias produtivas — etapa essencial para ampliar os impactos macroeconômicos da mineração.
Inspirado em modelos adotados por países como Estados Unidos, Canadá, membros da União Europeia, Japão, China e Coreia do Sul, o plano propõe uma agenda integrada baseada em nove eixos estratégicos. Entre eles, destacam-se a modernização regulatória, o fortalecimento institucional da ANM, o incentivo à inovação tecnológica, o avanço no conhecimento geológico e a criação de instrumentos econômicos para estimular investimentos.
Também ganham relevância propostas voltadas à sustentabilidade, como a mineração secundária e a economia circular, além da chamada “diplomacia mineral”, que busca inserir o Brasil de forma mais competitiva no cenário internacional.
Outro ponto central é o estímulo ao adensamento produtivo, com foco no desenvolvimento de cadeias industriais ligadas aos minerais, ampliando a geração de emprego, renda e tecnologia no país. A estratégia prevê ainda a definição de zonas prioritárias para implementação das políticas, garantindo maior eficiência e direcionamento dos investimentos.
Para a atual gestão da ANM, o desafio não está apenas em extrair recursos, mas em construir uma política mineral integrada, capaz de alinhar governança, sustentabilidade e desenvolvimento econômico — colocando o Brasil em posição de protagonismo na nova economia global baseada em minerais estratégicos.

Por Pedro Medina, especial para o portal do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Divulgação






