Por Roberto Pimentel
Sempre que transito pela rua que fica atrás do Bosque Rodrigues Alves, no perímetro entre as travessas Lomas Valentinas e Perebebuí, bairro do Marco, em nossa capital, eu lembro de meus dois primos mais velhos, os queridos e saudosos Humberto, filho de Quixito, como era conhecido o tio Francisco, e Wanderlei, chamado de Vandico, filho de tia Margarida, conhecida como Gaída, irmãos de papai.
Eu morava com meus pais na cidade de Maracanã, onde meu pai comerciava e minha mãe era professora estadual e costureira.
Papai vinha constantemente a Belém comprar mercadorias para revender, enquanto mamãe vinha uma vez ou outra, para idas à Secretaria de Educação, fazer compras para suas costuras ou consultas médicas. E às vezes ela me trazia e a gente ficava na casa onde morava a mãe de papai, vovó Gregória, com sua filha, tia Gaída, na travessa Lomas Valentinas, entre avenida Pedro Miranda e rua Antonio Everdosa.
E numa dessas minhas vindas a Belém, quando eu tinha uns 3 anos, com a anuência de mamãe, Humberto e Wanderlei, ainda adolescentes, me levaram a um passeio, deslocando-se de pés, para economizar, talvez, o dinheiro da passagem de ônibus, pela travessa Lomas até a parte dos fundos do bosque, fazendo eles um revezamento para me carregar nos ombros, naquele percurso de mais ou menos um quilômetro e meio, pois decidiram me poupar em andar naquele trajeto.
Ao chegarmos à via atrás do bosque, às proximidades, do outro lado, alugaram uma bicicleta, pois, à época, não era fácil adquirir uma bicicleta. A locação deve ter sido por no máximo uma hora, usando meus primos parte do valor que seria gasto se tivéssemos apanhado ônibus.
E na esquina da travessa Lomas, fui posto na garupa daquela bicicleta, sendo que um deles pegou a bicicleta e a seguir deslocou-se pedalando pela calçada até a outra esquina, na travessa Perebebuí, dali retornando. E ao chegar de onde partira, passou a bicicleta ao outro primo, comigo na garupa.
E assim, nesse revezamento, eles gastaram o tempo de locação. E ao término devolveram a bicicleta. Não lembro, mas é provável que consumimos algum lanche e picolé e de lá retornamos para casa, novamente a pés, com os dois primos se revezando em me carregar em seus ombros.
Lá se vão mais de setenta anos, mas meus doces primos que não estão mais nesta vida – Wanderlei partiu há mais de 20 anos e Humberto há uns 3, continuam presentes em minhas doces memórias, naquilo que chamo de Museu da Terra do Coração.
*Autor é advogado, delegado aposentado da Polícia Civil do Pará, especializado em Meio Ambiente e criador da Sala Verde da atual DEMAPA, ex-militar da Aeronáutica, radialista, poeta, escritor e escreve toda quinta-feira neste espaço de A PROVÍNCIA DO PARÁ






