Arnaldo Silva Rosa
Se o tempo dispersar meu nome como poeira sobre o dorso do vento,
que o teu permaneça escrito na pele invisível da luz.
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Não fomos feitos para desaparecer. Somos o intervalo entre a árvore e sua sombra, entre a água e a sede, entre a palavra e o primeiro silêncio.
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O amor não conhece o ruído. Caminha descalço sobre as pedras da ausência, transforma o exílio em morada, e faz do vazio uma estrela acesa.
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As estações envelhecem as folhas, os rios esquecem os próprios espelhos, a neve visita os cabelos como quem devolve ao homem a memória das nuvens.
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Mas o amor… o amor não aprende a morrer.
Ele muda de forma, abandona o corpo, habita a respiração do horizonte, e continua atravessando os séculos como um pássaro que nunca encontrou o fim do céu.
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Quando a última noite fechar os olhos do universo, não perguntaremos quem fomos.
Perguntaremos apenas se o amor ainda pronuncia nossos nomes.
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E então compreenderemos: a eternidade não era um lugar. Era o amor, aprendendo a inventar o infinito.
*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro efetivo da Academia de Letras de Belém-PA, titular da cadeira 20.






