sexta-feira, agosto 7, 2026
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Autistas: autistas ganham novo argumento na Justiça para reduzir peso financeiro do tratamento em Belém

Decisão que reconheceu gastos com escola como despesas médicas na Paraíba reacende debate sobre os custos da inclusão e os desafios enfrentados por pais de crianças com TEA no Pará

Em Belém, onde milhares de famílias convivem com a rotina de terapias, consultas, acompanhamento escolar e busca por atendimento especializado, uma decisão da Justiça Federal abriu uma nova discussão sobre os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A sentença, tomada na Paraíba, reconheceu que os gastos com a escola de uma criança autista podem ser considerados despesas médicas e deduzidos integralmente do Imposto de Renda.

Na prática, a decisão entendeu que, em determinados casos, a escola deixa de ser apenas um espaço de ensino e passa a integrar o tratamento da criança, contribuindo para o desenvolvimento da comunicação, da autonomia e da socialização. O entendimento também determinou a devolução dos valores pagos a mais pelos pais nos últimos cinco anos.

Embora o caso tenha ocorrido em outro estado, o impacto da decisão chega ao Pará porque reflete uma realidade conhecida por muitas famílias de Belém: o alto custo para garantir o desenvolvimento de crianças e adolescentes com autismo.

Para muitos pais, a mensalidade escolar é apenas uma parte das despesas. O acompanhamento pode envolver sessões de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, psicopedagogia e intervenções comportamentais, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Quando esses serviços não estão disponíveis em quantidade suficiente na rede pública, a alternativa costuma ser recorrer ao atendimento particular.

O crescimento na identificação de pessoas com TEA aumentou a pressão por políticas públicas mais estruturadas. O Censo 2022 do IBGE identificou 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com autismo, o equivalente a 1,2% da população do país.

Aplicando essa mesma proporção à população de Belém, que ultrapassa 1,3 milhão de habitantes, a capital paraense teria uma estimativa de aproximadamente 15,6 mil pessoas com o diagnóstico do TEA. Um número que ajuda a dimensionar o tamanho do desafio para as redes de saúde e educação, mas não representa o recorte real, dada a subnotificação imensa.

Em Belém e na Região Metropolitana, esse cenário aparece diariamente nas filas por diagnóstico, na busca por terapias e na necessidade de ampliar o número de profissionais especializados.

A capital paraense já registra avanços na área. Entre eles estão a ampliação do debate sobre inclusão escolar, a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) e iniciativas para facilitar o acesso a serviços e direitos garantidos por lei.

Mas, para as famílias, ainda há obstáculos importantes. A demora no diagnóstico, a falta de profissionais especializados, as dificuldades de acesso às terapias e a necessidade de escolas mais preparadas continuam entre as principais reclamações. A inclusão, segundo especialistas e familiares, não se resume à matrícula: depende de acompanhamento, adaptação pedagógica e suporte adequado.

A decisão judicial reacende uma discussão que vai além do Imposto de Renda. Ela reconhece uma realidade enfrentada diariamente por famílias de Belém. Para muitas crianças autistas, educação e tratamento caminham juntos. Quando a escola faz parte do desenvolvimento clínico e social da criança, o custo desse processo também precisa ser visto sob uma nova perspectiva.

Por Paulo Silber/Cidade 021

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