A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrida em agosto de 2024, e indiciou 16 pessoas, entre elas o empresário José Luiz Felício Filho, dono e presidente da companhia aérea. A tragédia, registrada em Vinhedo, no interior de São Paulo, deixou 62 mortos e é considerada uma das mais graves da aviação brasileira nos últimos anos.
De acordo com as investigações, o acidente foi resultado de uma sequência de falhas operacionais, técnicas e organizacionais dentro da empresa. Entre os principais pontos levantados estão indícios de negligência, omissão de informações relevantes em registros de manutenção e decisões que colocaram a aeronave em risco.
Relatórios da PF apontam que o avião, um ATR 72-500, não reunia condições seguras para voo. Um dos fatores críticos foi o sistema de degelo, que apresentava falhas recorrentes e chegou a ser acionado de forma irregular em dezenas de voos anteriores. Mesmo assim, a aeronave foi liberada para operar em condições meteorológicas adversas.
A investigação também identificou possíveis falhas na gestão da empresa e na cultura de segurança operacional, o que pode ter contribuído diretamente para o desastre. O inquérito foi conduzido ao longo de quase dois anos e reuniu laudos periciais, dados da caixa-preta e depoimentos de envolvidos.
José Luiz Felício Filho, que é piloto e comanda a empresa desde os anos 2000, herdou o grupo fundado por sua família, que deu origem à antiga Passaredo, posteriormente rebatizada como Voepass. Após o acidente, ele chegou a afirmar que a companhia seguia padrões internacionais de segurança.
Com a conclusão do inquérito, o caso agora segue para o Ministério Público, que irá decidir se apresenta denúncia formal contra os indiciados. Caso isso ocorra, os envolvidos poderão responder por crimes ligados à segurança do transporte aéreo, com penas que podem chegar a mais de uma década de prisão.
Familiares das vítimas acompanham o andamento do processo e já sinalizam que irão buscar responsabilização judicial de todos os envolvidos na tragédia.
Fonte: Agência Ronabar com informações e imagem do Portal Uol






