segunda-feira, agosto 10, 2026
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Cesta básica cai 4,65% em Belém em julho, mas alta no ano ainda chega a 8,63%

Redução de R$ 35,31 no preço médio traz alívio ao consumidor paraense, mas trabalhador que recebe salário mínimo ainda compromete quase metade da renda com os 12 itens básicos

Depois de uma sequência de altas ao longo do primeiro semestre, o preço da cesta básica finalmente deu uma trégua aos consumidores paraenses. Em julho de 2026, o conjunto dos 12 produtos considerados essenciais pelo DIEESE/PA e pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) custou, em média, R$ 724,10 em Belém, uma redução de 4,65% em relação a junho, quando o valor havia chegado a R$ 759,41.

Foi a primeira queda mensal registrada em 2026. Na prática, o consumidor desembolsou R$ 35,31 a menos para adquirir os mesmos produtos. O resultado, entretanto, ainda está longe de representar uma reversão da pressão exercida pela alimentação sobre o orçamento das famílias paraenses.

Os dados do levantamento mostram que, apesar da queda de julho, a cesta acumulou alta de 8,63% nos sete primeiros meses do ano. Em janeiro, o custo médio era de R$ 666,57. Ou seja, em sete meses, a cesta ficou R$ 57,53 mais cara.

O comportamento também supera, segundo a análise apresentada pelo DIEESE/PA, a inflação estimada para o período, de aproximadamente 3,5%.

Tomate puxa queda da cesta

Entre os 12 produtos pesquisados, seis ficaram mais baratos em julho. O principal responsável pelo resultado foi o tomate, que apresentou expressiva redução de 22,81%, passando de R$ 12,45 para R$ 9,61 o quilo.

Também registraram queda o feijão carioca (-2,94%), o café em pó (-2,05%), a farinha de mandioca (-0,95%), o óleo de soja (-0,70%) e a banana (-0,52%).

Na direção contrária, outros seis produtos tiveram pequenas altas. A manteiga subiu 1,28%, o arroz agulhinha 0,62%, o açúcar cristal 0,28%, o leite integral 0,25%, a carne bovina de primeira 0,11% e o pão francês 0,06%.

Para o DIEESE/PA, a forte redução do preço do tomate foi determinante para a queda da cesta em julho. O instituto, porém, recomenda cautela na interpretação do resultado, já que o produto sofre influência de fatores como sazonalidade, condições climáticas, oferta e custos de comercialização.

Quase metade do salário mínimo vai para alimentação

Mesmo com a queda mensal, o peso da cesta básica continua elevado para quem vive com o salário mínimo.

Em julho, um trabalhador paraense remunerado pelo piso nacional precisou comprometer 48,29% de sua remuneração líquida para comprar os 12 produtos que compõem a cesta.

Em termos de jornada, foram necessárias 98 horas e 16 minutos de trabalho, considerando uma jornada mensal de 220 horas.

Isso significa que praticamente metade da renda líquida de quem recebe o salário mínimo foi destinada somente à compra dos alimentos básicos pesquisados.

Feijão dispara 61,82% em apenas sete meses

O alívio registrado em julho não apagou os aumentos acumulados desde o início do ano. Entre janeiro e julho, oito dos 12 produtos pesquisados ficaram mais caros.

O maior destaque negativo foi o feijão carioca, cujo preço disparou 61,82% no período. O tomate, mesmo com a forte queda registrada em julho, acumulou alta de 32,37% desde janeiro.

Também ficaram mais caros a carne bovina de primeira, com alta de 7,17%; a banana, 7,08%; o arroz agulhinha, 6,75%; o leite integral, 3,82%; a manteiga, 1,99%; e o pão francês, 1,74%.

Por outro lado, quatro produtos apresentaram redução no acumulado do ano: farinha de mandioca (-21,99%), óleo de soja (-13,98%), café em pó (-8,46%) e açúcar cristal (-6,19%).

Em 12 meses, cesta acumula alta de 4%

Na comparação entre julho de 2025 e julho de 2026, o custo da cesta básica em Belém passou de R$ 696,23 para R$ 724,10, uma alta acumulada de 4%.

Mais uma vez, o feijão aparece como o principal vilão. O produto acumulou aumento de 63% em 12 meses. A carne bovina de primeira subiu 13,01%, enquanto a banana teve alta de 11,77%.

Também ficaram mais caros o óleo de soja, com aumento de 1,91%; o leite integral, 0,74%; e o tomate, 0,31%.

Na outra ponta, seis produtos ficaram mais baratos no período. O açúcar cristal apresentou a maior redução, de 33,94%, seguido pela farinha de mandioca (-22,36%), café em pó (-13,02%), arroz agulhinha (-11,87%), manteiga (-4,19%) e pão francês (-0,93%).

Belém tem a terceira cesta mais cara da Região Norte

O comportamento observado em Belém acompanha uma tendência nacional. Em julho, o custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais brasileiras pesquisadas pelo DIEESE em parceria com a CONAB. A única exceção foi São Luís, onde houve alta de 0,30%.

Na Região Norte, todas as sete capitais registraram redução.

Palmas apresentou a maior queda regional, de 7,38%, com cesta de R$ 731,89. Em seguida vieram Manaus (-4,79%; R$ 697,80), Belém (-4,65%; R$ 724,10), Boa Vista (-2,97%; R$ 730,74), Porto Velho (-1,89%; R$ 684,83), Rio Branco (-1,74%; R$ 692,04) e Macapá (-0,58%; R$ 713,29).

Apesar da redução, Belém terminou julho com a terceira cesta básica mais cara entre as capitais nortistas, atrás de Boa Vista e Palmas.

No cenário nacional, São Paulo manteve a liderança, com cesta de R$ 915,01, seguida por Cuiabá, com R$ 881,27; Florianópolis, R$ 860,73; e Rio de Janeiro, R$ 855,37.

Queda de julho ainda não muda cenário do ano

Embora a redução registrada no mês represente um alívio para o consumidor, todas as 27 capitais pesquisadas continuam apresentando aumento no acumulado de 2026.

As altas variam de 4,28%, em Campo Grande, a 15,68%, em Porto Velho. Belém aparece com aumento de 8,63% no ano.

O cenário mostra que a queda de julho precisa ser observada dentro de um contexto mais amplo. O custo da alimentação ainda permanece significativamente acima do registrado no início do ano e continua consumindo parcela importante da renda dos trabalhadores.

Salário mínimo necessário supera R$ 7,6 mil

Outro dado que chama atenção no levantamento é a estimativa do DIEESE para o salário mínimo necessário à manutenção de uma família de quatro pessoas.

Em julho de 2026, o valor calculado foi de R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621.

Em junho, essa estimativa havia alcançado R$ 8.110,92. Já em julho de 2025, o valor necessário era calculado em R$ 7.274,43, quando o salário mínimo vigente era de R$ 1.518.

O cálculo considera despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações do Dieese/PA e CONAB/Imagem: Reprodução

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