Investigação aponta que expulsão registrada em partida entre Paraense e Santos teria sido alterada quatro dias depois do jogo; Federação Paraense de Futebol diz que inquérito é preliminar
Uma investigação da Polícia Civil do Pará colocou sob suspeita um episódio envolvendo a arbitragem do Campeonato Paraense de 2025. O árbitro Olivaldo José Alves Moraes e Fernando José de Castro Rodrigues, que ocupava a presidência da Comissão de Arbitragem da Federação Paraense de Futebol (FPF), foram indiciados por suspeita de fraude em uma súmula de partida do estadual.
A apuração foi conduzida pela Delegacia de Proteção ao Torcedor e Grandes Eventos (DPTGE/DIOE) e está relacionada ao jogo entre Paraense e Santos, realizado em 6 de novembro de 2025, pelo Campeonato Paraense Série A3. A partida terminou com vitória do Santos por 3 a 0 e foi marcada por uma confusão generalizada entre integrantes das duas equipes. Documento do Tribunal de Justiça Desportiva do Pará confirma que Olivaldo José Alves Moraes e diversos atletas foram posteriormente denunciados em razão dos acontecimentos daquela partida.
Segundo o relatório policial, a súmula original registrava como expulso o jogador Gabriel de Aviz Vidal, camisa 6 do Paraense. Quatro dias depois do confronto, entretanto, um adendo alterou a informação e passou a apontar Francisco Kawan da Costa Monteiro, camisa 11, como o atleta expulso.
Para a Polícia Civil, a mudança não teria sido uma simples correção administrativa. A investigação aponta que a alteração teria ocorrido de forma deliberada, levando os investigadores a apurar a participação do árbitro e do então dirigente da FPF.
Os dois foram indiciados com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), dispositivo que trata da alteração de evento relacionado a uma competição esportiva.
O caso ganha relevância porque a súmula de uma partida é um dos principais documentos oficiais utilizados para registrar ocorrências disciplinares e subsidiar julgamentos na Justiça Desportiva. O processo relacionado ao confronto de novembro de 2025 chegou ao TJD/PA, que analisou, entre outros pontos, acontecimentos envolvendo a atuação da arbitragem e a confusão registrada no campo.
Suspeita de coação também foi investigada
Durante o inquérito, a Polícia Civil analisou ainda uma denúncia de suposta coação no curso do processo envolvendo Fernando José de Castro Rodrigues. A acusação havia sido apresentada pelo advogado Emerson Maurício Correia Dias.
Nesse ponto, porém, o relatório policial não apontou elementos suficientes para sustentar um indiciamento. Assim, a suspeita de coação não resultou em responsabilização criminal ao final da investigação.
Fernando Rodrigues deixou a presidência da Comissão de Arbitragem da FPF em 21 de julho deste ano.
FPF diz que investigação ainda é preliminar
Em nota divulgada na segunda-feira (10), a Federação Paraense de Futebol afirmou ter tomado conhecimento da conclusão do Inquérito Policial nº 00733/2026.100033-5 por meio da imprensa e dos canais oficiais.
A entidade ressaltou que o inquérito policial possui caráter informativo e preliminar e que seu conteúdo servirá para subsidiar a análise do Ministério Público do Estado do Pará.
A FPF também afirmou que respeita a presunção de inocência e o devido processo legal e que aguardará a manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A entidade reafirmou ainda seu compromisso com a transparência e a integridade do futebol paraense e declarou que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração.
O indiciamento, por si só, não significa condenação. A partir da conclusão do inquérito, caberá ao Ministério Público analisar os elementos reunidos pela Polícia Civil e decidir quais providências serão adotadas. Posteriormente, se houver ação penal, a questão poderá ser submetida ao Poder Judiciário.
As defesas dos dois indiciados têm espaço aberto para apresentarem suas versões.
Da Redação/Imagens: Reprodução





